O comércio varejista no Brasil iniciou 2026 com sinal de recuperação após o desempenho mais fraco registrado no fim do ano passado. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que o volume de vendas do setor avançou 0,4% em janeiro na comparação com dezembro.
O resultado interrompe a queda observada no último mês de 2025, quando o indicador havia recuado 0,4%. Na comparação com janeiro do ano anterior, o crescimento foi de 2,8%, indicando expansão do consumo mesmo em um ambiente de juros elevados.
Segundo técnicos responsáveis pelo levantamento, embora o avanço mensal tenha sido moderado, o desempenho levou o comércio ao nível mais alto da série recente, aproximando-se do pico registrado no fim de 2025. Para analistas do instituto, a renovação desse patamar não ocorre com frequência e pode indicar resiliência da demanda no início do ano.
Entre os fatores que ajudam a sustentar o consumo estão o crescimento do crédito destinado às famílias e a desaceleração da inflação em relação a períodos anteriores. Esses elementos, de acordo com especialistas, contribuem para manter o ritmo de compras em níveis relativamente estáveis.
Mesmo com esse desempenho positivo, o cenário econômico ainda impõe desafios. A taxa básica de juros definida pelo Banco Central do Brasil permanece em 15%, patamar considerado elevado e que tende a influenciar o comportamento do crédito e do consumo nos próximos meses.
Na análise por segmentos, quatro das oito atividades monitoradas registraram crescimento no volume de vendas. Entre elas estão produtos farmacêuticos, vestuário e calçados, artigos de uso pessoal e doméstico, além de supermercados e estabelecimentos de alimentos e bebidas.
Por outro lado, alguns setores apresentaram retração. Equipamentos de informática e comunicação tiveram a maior queda do período, enquanto combustíveis e papelarias também registraram desempenho negativo. As vendas de móveis e eletrodomésticos permaneceram praticamente estáveis.
Economistas avaliam que a leitura de janeiro sugere um início de ano com consumo relativamente resistente, mas não altera a perspectiva de desaceleração gradual da economia. Parte desse movimento deve refletir, ao longo dos próximos meses, os efeitos acumulados da política monetária mais restritiva.
No chamado varejo ampliado, que inclui vendas de veículos, material de construção e atacado de alimentos, o crescimento foi um pouco maior. Nesse recorte, o setor registrou alta de 0,9% na comparação mensal e avanço de 1,1% em relação ao mesmo período de 2025.