Disputa em inventário envolve incorporadora e pode gerar prejuízo de até R$ 1 bilhão

Venda de complexo imobiliário avaliado em R$ 500 milhões enfrenta impasse judicial após manifestações da Moura Dubeux

Foto: Reprodução / redes sociais

Uma disputa judicial envolvendo um inventário familiar que se arrasta há mais de 16 anos no Recife colocou a incorporadora Moura Dubeux Engenharia no centro de um conflito imobiliário que pode gerar perdas estimadas em quase R$ 1 bilhão.

A empresa, que tem ações negociadas na B3 sob o ticker MDNE3, aparece no processo relacionado à venda de um conjunto imobiliário conhecido como Cassino Americano, localizado na capital pernambucana. O ativo integra um dos maiores patrimônios privados em inventário na região Nordeste.

A alienação do imóvel havia sido autorizada pela Justiça como parte da estratégia para viabilizar a partilha entre os herdeiros.

Venda vinculada à regularização tributária

Além da divisão do patrimônio, a venda permitiria aos herdeiros aderir a um programa estadual de regularização do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ICD), que concede descontos relevantes para o pagamento do tributo sucessório dentro de prazo específico.

Segundo documentos do processo, a negociação do ativo — estimada em cerca de R$ 500 milhões — já havia recebido autorização judicial para ser realizada com uma incorporadora do mercado imobiliário.

Entretanto, manifestações apresentadas pela Moura Dubeux no inventário e uma promessa de permuta firmada com herdeiros minoritários envolvendo parte do mesmo imóvel teriam criado obstáculos para a conclusão da operação.

Decisões judiciais

Decisões já proferidas pela vara de família responsável pelo inventário rejeitaram tentativas de intervenção da construtora no processo sucessório.

Em despachos recentes, o juízo também registrou advertências sobre a possibilidade de litigância de má-fé diante das tentativas de interferência em uma negociação previamente autorizada pela Justiça.

Risco de prejuízo bilionário

Caso a venda do ativo não seja concretizada dentro do prazo previsto, os herdeiros podem perder o benefício fiscal vinculado ao programa de regularização do imposto sucessório.

Nesse cenário, o prejuízo potencial pode chegar a quase R$ 1 bilhão, considerando tanto a frustração da operação imobiliária quanto a perda do desconto tributário.

Diante da possibilidade de prejuízo, herdeiros majoritários já avaliam buscar reparação judicial pelos danos decorrentes da eventual inviabilização do negócio. Escritórios especializados em disputas empresariais e societárias em São Paulo teriam sido consultados para analisar o caso.

Reflexos no mercado

Por envolver uma companhia aberta, o episódio também pode gerar questionamentos no mercado de capitais sobre eventuais impactos para investidores e sobre a necessidade de divulgação de riscos relevantes.

A supervisão e fiscalização do mercado de capitais no Brasil são feitas pela Comissão de Valores Mobiliários.

A reportagem procurou a Moura Dubeux e demais partes citadas no processo para comentar o caso, mas não obteve retorno até o momento. O espaço permanece aberto para manifestações e esclarecimentos.