O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve rejeitar a proposta dos Estados Unidos que sugeria transferir para o Brasil estrangeiros detidos em território americano. A sugestão integra uma série de contrapropostas norte-americanas ao plano brasileiro de cooperação para o combate ao crime organizado, apresentado por Lula em 2025 durante conversa telefônica com Donald Trump.
Fontes diplomáticas brasileiras afirmam que a proposta americana não prevê a classificação de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, um ponto considerado crucial pelo governo federal. Além disso, inclui demandas para o compartilhamento de dados biométricos de estrangeiros solicitando refúgio no país e o envio de informações sobre transações em criptomoedas.
Segundo interlocutores do governo, receber presos de outros países não encontra respaldo no ordenamento jurídico brasileiro, diferentemente do que ocorre em países como El Salvador. O compartilhamento de dados biométricos, por sua vez, violaria dispositivos da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
O governo argumenta ainda que já mantém programas estruturados de combate às facções criminosas, incluindo ações conjuntas com os Estados Unidos, e que não há necessidade de implementar medidas adicionais sugeridas pelos americanos. Diplomatas reforçam que divergências são comuns em negociações internacionais desse tipo e que uma resposta negativa não deve impactar a relação bilateral.
Em dezembro de 2025, Lula conversou por telefone com Trump sobre a importância de intensificar a cooperação na área de segurança. O presidente brasileiro destacou operações recentes que visaram as finanças de facções criminosas, enquanto Trump se mostrou disposto a apoiar iniciativas conjuntas. Ambos concordaram em retomar discussões em breve, incluindo temas como tarifas e combate ao crime organizado internacional.
