Celebrado em 15 de março, o Dia do Consumidor chega em um momento em que o brasileiro continua comprando, mas com um olhar mais atento e estratégico. Preço, qualidade, versatilidade e valor percebido passaram a ter peso maior na decisão de compra — movimento que vem transformando a dinâmica de diferentes setores do varejo, incluindo o mercado de acessórios.
No segmento de semijoias, essa mudança tem levado empresas e revendedoras a rever estratégias de estoque, curadoria e reposição de produtos. A lógica agora é reduzir riscos e apostar em modelos com maior previsibilidade de venda, evitando mercadorias paradas.
Mesmo diante de um consumidor mais seletivo, o setor segue aquecido. A Gazin Semijoias, considerada a maior atacadista de semijoias do país, registrou crescimento de 23% em 2025, impulsionado por estratégias baseadas em alto giro de produtos, escala operacional e fortalecimento da rede de revendedoras.
Segundo Caio Gazin, CEO da marca, o consumo não diminuiu — apenas se tornou mais racional. “O consumidor continua comprando, mas está mais criterioso. Hoje ele avalia muito mais o custo-benefício e a versatilidade antes de decidir. Isso faz com que toda a cadeia trabalhe com mais estratégia, especialmente no atacado”, afirma.
Diante desse cenário, o executivo destaca cinco estratégias que podem ajudar empresas e revendedoras a manter as vendas aquecidas.
Apostar em produtos com alto giro
Em períodos de maior cautela, trabalhar com itens que já demonstraram boa aceitação no mercado ajuda a reduzir riscos e aumenta a previsibilidade de vendas. Peças clássicas — como argolas, brincos minimalistas e colares atemporais — tendem a manter demanda constante.
“Modelos de alto giro são aqueles que toda mulher precisa ter no porta-joia. São peças vendáveis em qualquer momento do mercado e que reduzem muito o risco de estoque parado”, explica Caio.
Substituir grandes estoques por reposições frequentes
Outra mudança relevante está na forma de abastecimento. Em vez de pedidos grandes e esporádicos, muitas revendedoras passaram a realizar compras menores e mais frequentes, acompanhando o ritmo real das vendas.
“Hoje a reposição é mais estratégica. As revendedoras preferem compras recorrentes, acompanhando o giro real dos produtos. Isso traz mais segurança financeira para o negócio”, afirma.
Fazer uma curadoria mais estratégica
Com o consumidor mais atento ao valor percebido, a seleção do portfólio se tornou ainda mais decisiva. Peças versáteis, com boa durabilidade e preço competitivo, tendem a alcançar melhor desempenho.
“O foco deixou de ser volume por impulso e passou a ser inteligência de compra. As revendedoras priorizam peças com maior aceitação e potencial de saída”, diz o executivo.
Usar dados para orientar decisões
Dados de vendas, comportamento regional e sazonalidade passaram a desempenhar papel central no planejamento comercial. Na Gazin, essas informações ajudam a definir desde o desenvolvimento de novos produtos até a reposição de estoque.
“Analisamos histórico de vendas, saída por categoria e comportamento do consumidor para aumentar a assertividade das decisões comerciais”, explica Caio.
Manter lançamentos frequentes
No mercado de acessórios, novidades constantes ajudam a estimular o interesse do consumidor e incentivam a recompra. Para quem trabalha com revenda, atualizar o portfólio também amplia oportunidades de venda.
“Lançamentos frequentes mantêm o mostruário atualizado com tendências e criam novas oportunidades de venda para as revendedoras”, afirma.
Para o CEO, a profissionalização do setor e o amadurecimento das estratégias de venda indicam um caminho de crescimento sustentável. “Hoje, o atacado não é apenas sobre vender produto. É sobre construir parceria, previsibilidade e rentabilidade para quem está na ponta. Quando o giro é saudável, todo mundo ganha, desde a indústria até revendedores e consumidores”, conclui.