As exportações brasileiras de chocolate, cacau e derivados alcançaram quase US$ 1 bilhão entre 2021 e 2025, registrando crescimento de 86,1% nos principais mercados internacionais. O avanço foi divulgado em estudo exclusivo da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e reflete tanto a valorização global das commodities quanto a melhoria na qualidade dos produtos nacionais.
Segundo Igor Gomes, coordenador de Acesso a Mercado da ApexBrasil, a evolução da indústria brasileira permitiu que os produtos conquistassem novos mercados e se consolidassem em nichos de maior valor agregado. “O Brasil consegue entregar produtos de alta qualidade, em momentos em que concorrentes enfrentam quebras de safra, o que fortalece nossa competitividade”, afirmou.
Entre os destaques do período estão chocolates recheados, com aumento de 340% nas exportações, e cacau em pó sem adição de açúcar, que avançou 254%. Apesar da forte valorização em valores percentuais, o item que gerou maior faturamento foi a manteiga e óleo de cacau, somando US$ 452,8 milhões entre 2021 e 2025.
O estudo da ApexBrasil também aponta que o crescimento foi impulsionado pela alta do preço internacional do cacau. A commodity, que em 2022 era negociada entre US$ 2 mil e US$ 3 mil por tonelada na Bolsa de Nova York, chegou a US$ 12,5 mil ao final de 2024, atingindo seu ápice histórico e contribuindo para o aumento no valor financeiro das exportações.
Além do efeito das cotações, a expansão estrutural do setor se deve à modernização das plantações e ao foco em produtos premium, como chocolates finos do tipo “bean to bar”. Essas estratégias ajudaram a consolidar a imagem do cacau e do chocolate brasileiros como sinônimo de qualidade no exterior.
O principal mercado para os produtos nacionais continua sendo os Estados Unidos, que registraram aumento de 60,8% nas compras entre 2024 e 2025, beneficiados por tarifas alfandegárias zeradas. Já a União Europeia apresenta barreiras mais rigorosas, com tarifas de até 13,4% para chocolates e 9,6% para derivados como manteiga e pasta de cacau. O Acordo Mercosul-União Europeia promete reduzir gradualmente essas tarifas para zero em até dez anos, ampliando as oportunidades de exportação.
Para apoiar o setor, a ApexBrasil mantém programas de inteligência de mercado e o PEIEX, que prepara empresas para participar de feiras, rodadas de negócios e negociações internacionais, fortalecendo a presença brasileira no comércio global de cacau e chocolate.
