Revista Poder

Mercado ajusta expectativa para decisão do Copom e prevê corte menor da Selic

Alta do petróleo e dados de inflação reforçam cenário de cautela entre investidores

As expectativas do mercado para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da próxima semana passaram por mudanças significativas nos últimos dias. Enquanto até recentemente a maioria apostava em um corte de 0,50 ponto percentual na Selic, o consenso começou a se inclinar para uma redução mais modesta de 0,25 ponto.

A alteração é evidenciada na Opção de Copom, derivativo negociado na B3. No início de março, a probabilidade implícita de um corte maior era de 65,5%, enquanto a redução menor somava 26%. Em 12 de março, essa relação se inverteu: o corte de 0,25 ponto passou a ter 51% de probabilidade, e o de 0,50 ponto caiu para 39%.

Segundo analistas, dois fatores principais explicam a mudança de percepção. O primeiro foi o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro, que mostrou alta de 0,70%, acima do esperado, embora a inflação acumulada em 12 meses tenha recuado de 4,44% para 3,81%. Apesar do recuo, a composição do índice trouxe núcleos mais firmes, elevando as preocupações com pressões inflacionárias persistentes em serviços e produtos industrializados.

O segundo fator foi o avanço dos preços do petróleo, que voltou a subir diante da intensificação do conflito no Oriente Médio. A commodity impacta diretamente o custo da gasolina e do diesel no país, pressionando a inflação e, consequentemente, a avaliação do Banco Central sobre o ritmo de corte de juros. Estimativas do UBS BB indicam que um reajuste de 10% na gasolina pode elevar o IPCA em até 50 pontos-base, considerando efeitos diretos e indiretos.

Diante desse cenário, bancos como Goldman Sachs e BNP Paribas revisaram suas projeções para a Selic, antecipando início de um ciclo de afrouxamento gradual, com redução inicial de 25 pontos-base. O JPMorgan, por outro lado, mantém a expectativa de corte maior de 0,50 ponto, caso o choque do petróleo seja temporário, mas reconhece que a margem para essa decisão é menor.

O Copom ainda pode surpreender, mas a percepção predominante é de prudência. O mercado espera que a autoridade monetária inicie o ciclo de cortes de forma contida, acompanhando os efeitos da inflação subjacente e os impactos das variáveis externas antes de adotar medidas mais agressivas.

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