Os principais mercados acionários da Europa encerraram o pregão desta quinta-feira em queda, refletindo um cenário de maior aversão ao risco diante da escalada de tensões no Oriente Médio e de novas sinalizações das autoridades monetárias da região.
O movimento ocorreu após decisões do Banco Central Europeu e do Banco da Inglaterra de manterem as taxas de juros inalteradas. Apesar da pausa, ambas as instituições reforçaram preocupações com a inflação, especialmente diante da alta nos preços de energia, influenciada pelo ambiente geopolítico.
Entre os principais índices, o FTSE 100, em Londres, registrou forte queda, assim como o DAX, na Alemanha, e o CAC 40, na França. Também fecharam em baixa o FTSE MIB, o Ibex 35 e o PSI 20, evidenciando um movimento generalizado de correção nos mercados da região.
A presidente do BCE, Christine Lagarde, destacou que o cenário atual representa um choque relevante, com impactos potenciais tanto sobre o crescimento quanto sobre a inflação. As projeções da instituição indicam revisão para cima das expectativas inflacionárias e um crescimento econômico mais moderado nos próximos anos.
No Reino Unido, o banco central também indicou que pode ajustar sua política monetária caso as pressões inflacionárias persistam. A autoridade afirmou estar preparada para agir, se necessário, para manter a inflação sob controle no médio prazo.
O ambiente externo mais instável tem afetado especialmente setores sensíveis ao ciclo econômico. Empresas ligadas a mineração, aviação, bancos e tecnologia lideraram as perdas, acompanhando a volatilidade das commodities e o aumento da incerteza global. O setor de energia foi uma das exceções, beneficiado pela valorização dos preços no mercado internacional.
A combinação entre tensões geopolíticas, custo mais elevado de energia e perspectivas econômicas mais fracas reforça um cenário de cautela entre investidores, que seguem atentos aos desdobramentos do conflito e às próximas decisões de política monetária.