Revista Poder

Exportações de café solúvel reagem em Fevereiro, mas seguem pressionadas por tarifas dos EUA

Alta mensal não compensa perdas no início de 2026, marcado por barreiras comerciais e menor oferta interna

As exportações brasileiras de café solúvel apresentaram recuperação em fevereiro, após um início de ano marcado por retração e desafios no mercado internacional. Apesar do avanço no último mês, o desempenho do primeiro bimestre ainda reflete os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos e da menor disponibilidade de matéria-prima no país.

De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel, os embarques no mês somaram mais de 7 mil toneladas, com crescimento em relação ao mesmo período do ano passado. O aumento também foi observado na receita, impulsionado pela valorização do café no mercado global.

Mesmo com esse resultado positivo pontual, o acumulado de janeiro e fevereiro indica queda nas exportações, influenciada principalmente pelas dificuldades de acesso ao mercado norte-americano. Os Estados Unidos seguem como principal destino do produto brasileiro, mas a elevação das tarifas reduziu a competitividade do café solúvel nacional.

A política comercial adotada durante o governo de Donald Trump elevou as taxas de importação para patamares que impactam diretamente o volume exportado. Desde então, o setor registra perdas significativas, com retração acentuada nos embarques destinados ao país.

Além das barreiras externas, o segmento enfrenta limitações internas relacionadas à oferta de café, resultado de estoques mais ajustados e de uma safra anterior menos abundante. Esse cenário contribui para a desaceleração das vendas ao exterior e amplia a pressão sobre a indústria.

A expectativa do setor é de que a situação comece a se equilibrar ao longo de 2026, com a entrada de uma nova safra e possível reorganização do fluxo comercial. Até lá, o mercado de café solúvel deve seguir lidando com um ambiente de incerteza e competição mais intensa no cenário internacional.

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