O presidente Luiz Inácio Lula da Silva exonerou nesta sexta-feira o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, para que ele retornasse ao Senado e alterasse a composição da CPMI do INSS. A mudança abre caminho para que o senador Beto Faro assuma a vaga de titular deixada pela senadora Margareth Buzetti, alinhada à oposição.
A movimentação ocorre em meio à votação do relatório final da comissão parlamentar que sugere o indiciamento e a prisão de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Apesar de constar no documento, a recomendação só terá efeitos caso o relatório seja aprovado até o prazo final da CPMI, que termina neste sábado.
Margareth Buzetti criticou a manobra durante a sessão de leitura do relatório, afirmando que se sentiu desrespeitada e que o governo temia seu voto. “Ele é o titular da pasta, a cadeira é dele, mas a gente merece o mínimo de respeito. É muito bom ser mulher”, disse a senadora.
Com a exoneração de Fávaro, o PT ganha mais um voto favorável para tentar rejeitar o relatório do deputado Alfredo Gaspar. A CPMI é formada por 32 parlamentares, metade senadores e metade deputados, e precisa de 17 votos para aprovar qualquer decisão.
O relatório cita suspeitas sobre Lulinha envolvendo o empresário Antônio Camilo Antunes, preso por supostos desvios no INSS. Investigadores afirmam que o filho do presidente teria recebido uma mesada de R$ 300 mil para atuar em lobby na venda de medicamentos de canabidiol ao Ministério da Saúde, embora a defesa de Lulinha negue qualquer irregularidade.
A mudança estratégica na comissão reflete a tentativa do governo de controlar a votação e proteger aliados, gerando críticas de parlamentares da oposição que acusam a base de manobrar a composição da CPMI em benefício político.
