Revista Poder

Desemprego avança no início do ano, mas segue em nível historicamente baixo

Alta para 5,8% no trimestre até fevereiro reflete fim de vagas temporárias, enquanto renda média do trabalhador bate novo recorde

Foto: Reprodução/Redes Sociais

A taxa de desemprego no Brasil registrou leve alta no trimestre encerrado em fevereiro, alcançando 5,8%, segundo dados divulgados pelo IBGE. O aumento em relação aos períodos anteriores ocorre em um momento típico de desaceleração do mercado de trabalho, após o encerramento de contratos temporários ligados às festas de fim de ano.

Apesar da elevação, o índice permanece em um dos níveis mais baixos da série histórica para esse período, indicando que o mercado segue relativamente aquecido. Ao todo, cerca de 6,2 milhões de pessoas estavam em busca de emprego, número superior ao registrado no trimestre imediatamente anterior.

O movimento de alta no desemprego é considerado sazonal. Setores que tradicionalmente ampliam contratações no segundo semestre, como comércio, construção e serviços ligados ao período festivo, tendem a reduzir o ritmo no começo do ano. Áreas como educação e saúde também influenciam esse comportamento, especialmente devido ao término de vínculos temporários.

Mesmo com a oscilação na ocupação, o rendimento médio dos trabalhadores atingiu o maior valor já registrado, chegando a R$ 3.679. O avanço indica ganho real tanto na comparação trimestral quanto no acumulado em 12 meses, reforçando a melhora gradual da renda no país.

O contingente de pessoas ocupadas ficou em 102,1 milhões, com leve recuo frente ao trimestre anterior. Já o nível de ocupação, que mede a proporção de trabalhadores em relação à população em idade ativa, apresentou pequena queda, acompanhando o aumento pontual da desocupação.

Outro indicador relevante, a taxa de informalidade, permaneceu elevada, atingindo 37,5% da população ocupada. Isso representa mais de 38 milhões de trabalhadores em condições informais, cenário que ainda desafia a estrutura do mercado de trabalho brasileiro.

Entre os que estão fora da força de trabalho, o total chegou a 66,6 milhões de pessoas. Dentro desse grupo, 2,7 milhões são considerados desalentados, ou seja, desistiram de procurar emprego, embora tenham interesse em trabalhar.

Por outro lado, alguns setores mostraram expansão no período. Atividades ligadas à informação, comunicação e serviços financeiros cresceram, assim como áreas relacionadas à administração pública, saúde e educação, sinalizando focos de dinamismo em meio ao ajuste sazonal.

Os dados fazem parte da PNAD Contínua, principal levantamento sobre o mercado de trabalho no país, e refletem um cenário de transição típico do início do ano, com acomodação após o pico de contratações observado no fim de 2025.

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