O Supremo Tribunal Federal (STF) formou nesta sexta-feira, 27, maioria para que a eleição indireta do governo do Rio de Janeiro seja realizada de forma secreta. Na votação, seis ministros optaram por manter o sigilo do voto dos deputados estaduais, enquanto quatro defenderam que a escolha fosse feita por eleição direta.
A definição ocorre em um contexto de crise política no estado. Após a renúncia do governador Cláudio Castro no dia 23 de março de 2026 e a cassação do então presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar, o comando do Executivo passou temporariamente para o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto. Com isso, a Assembleia terá a responsabilidade de eleger um governador-tampão que conclua o mandato até o final do ano.
Os ministros que votaram a favor da votação secreta foram Luiz Fux, Cármen Lúcia, Nunes Marques, André Mendonça, Dias Toffoli e Luiz Edson Fachin. Divergiram Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, que defendem a realização de eleição direta.
Além do formato do voto, a Corte ainda discute o prazo necessário para que os interessados na disputa desocupem seus cargos atuais, conhecido como desincompatibilização. A decisão individual do relator Luiz Fux é analisada no plenário virtual e o julgamento está previsto para se encerrar na segunda-feira, 30, às 18h. Até lá, os ministros podem alterar seus votos, o que pode modificar o placar final.
O impasse evidencia a complexidade do cenário político fluminense. Com todos os cargos do Executivo atualmente vagos, a Assembleia precisa definir rapidamente as regras para garantir a escolha de um governador temporário, mas ainda não há consenso sobre prazos e procedimentos.
