O aumento no preço do querosene de aviação anunciado pela Petrobras gerou reação imediata das companhias aéreas, que avaliam o cenário como crítico para a sustentabilidade do setor. A elevação, que chega a cerca de 55% no valor médio de venda para distribuidoras em abril, intensifica a pressão sobre os custos operacionais.
Em manifestação oficial, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas apontou que o combustível já representa uma parcela significativa das despesas das empresas e que o novo reajuste pode trazer efeitos relevantes para a operação. Somado ao aumento registrado no mês anterior, o querosene passa a concentrar quase metade dos custos das companhias.
A escalada no preço do insumo ocorre em meio à instabilidade no mercado internacional de energia, influenciado por tensões geopolíticas envolvendo países do Oriente Médio. Mesmo com produção majoritariamente nacional, o valor do combustível segue parâmetros internacionais, o que expõe o mercado brasileiro às oscilações externas.
Diante do cenário, o setor aéreo teme impactos diretos na oferta de voos e no preço das passagens, além de possíveis ajustes operacionais para compensar o aumento das despesas. A entidade que representa as empresas defende a adoção de medidas que reduzam a volatilidade do combustível e garantam maior previsibilidade para o planejamento das operações.
Como forma de amenizar os efeitos imediatos do reajuste, a Petrobras anunciou um mecanismo que permite o parcelamento de parte do aumento ao longo dos próximos meses. A medida busca reduzir o impacto inicial sobre as companhias e evitar retração na demanda por transporte aéreo.
Ainda assim, especialistas avaliam que o cenário permanece desafiador, especialmente em um momento de recuperação gradual do setor, que ainda lida com os reflexos de crises recentes e com a sensibilidade do consumidor a aumentos de preços.