A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (1º) uma nova etapa da investigação sobre o suposto vazamento de informações fiscais de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de seus familiares. A operação, autorizada pelo STF, incluiu um mandado de prisão preventiva e seis mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Trata-se da segunda fase da Operação Exfil, iniciada em 17 de fevereiro, que busca esclarecer se houve acesso ilegal a documentos protegidos por sigilo legal e obtidos mediante pagamento ou outro benefício ilícito. Na primeira fase, além das buscas, a Polícia Federal determinou medidas cautelares como afastamento de funções públicas, cancelamento de passaportes, monitoramento eletrônico e restrição de viagens internacionais.
Segundo informações levantadas pela investigação, dados fiscais de Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre de Moraes, foram acessados de forma irregular. O procedimento foi aberto a pedido do próprio Moraes em janeiro deste ano, após a divulgação de reportagens que mencionavam contratos da profissional com o Banco Master, totalizando R$ 131,3 milhões em três anos.
A apuração envolve ainda contatos do ministro com autoridades do Banco Central para tratar de questões relacionadas ao banco de Daniel Vorcaro. Três dessas conversas ocorreram por telefone e pelo menos uma presencialmente, segundo fontes próximas ao caso.
Especialistas apontam que este episódio reforça a tensão histórica entre o STF e a Receita Federal sobre o uso de dados fiscais de autoridades. Em 2019, Moraes já havia suspendido investigações que envolviam ministros da Corte, alegando indícios de desvio de finalidade. Naquela ocasião, dois servidores foram afastados temporariamente e as apurações foram interrompidas pelo Supremo por falta de provas de irregularidade.
A operação desta quarta-feira segue sob sigilo, e as autoridades ainda não divulgaram informações sobre o andamento do mandado de prisão preventiva ou os alvos das buscas. A expectativa é de que novos desdobramentos possam surgir nas próximas semanas, aprofundando a investigação sobre o acesso indevido a informações fiscais de magistrados e familiares.
