Revista Poder

Empresário acusa ex-secretário da Saúde de Ibiúna de fraude societária, calote milionário e ameaças após cobrança

Paulo Sérgio Niyama, conhecido como Paulinho da Saúde, é alvo de dois boletins de ocorrência registrados na capital paulista

Foto: Reprodução / Acervo

O empresário Rodrigo Eduardo Fontes registrou dois boletins de ocorrência contra Paulo Sérgio Niyama, conhecido como Paulinho da Saúde — apelido que ganhou após comandar a Secretaria de Saúde de Ibiúna e disputar a prefeitura do município nas eleições de 2012. As denúncias envolvem suspeitas de fraude societária, abertura de contas bancárias sem autorização e ameaças que, segundo o empresário, surgiram após cobranças por uma dívida superior a R$ 1,3 milhão.

O primeiro boletim foi registrado em 13 de março, no 30º Distrito Policial do Tatuapé, em São Paulo, sob acusação de estelionato. Rodrigo afirma que Niyama teria alterado o quadro societário do Instituto Oftalmológico Rodrigo Fontes Ltda. sem autorização e, a partir disso, criado uma filial vinculada ao CNPJ 46.334.240/0002-04.

Segundo o relato, essa nova estrutura teria sido usada para abertura de conta bancária em nome da empresa, sem o conhecimento do proprietário. “Ele abriu conta bancária no nome da minha empresa, sem meu conhecimento e muito menos a minha autorização”, declarou o empresário no boletim.

Cobrança de dívida antecedeu ameaças

Onze dias depois, em 24 de março, Rodrigo voltou à polícia e registrou um segundo boletim, desta vez por ameaça, no 92º Distrito Policial.

Ele relata que prestou serviços oftalmológicos ao Instituto Seema – Saúde, Educação, Esporte e Meio Ambiente, no valor de R$ 1.356.702,61, e não recebeu pelos atendimentos realizados.

De acordo com o empresário, o instituto tem como sócios Paulo Sérgio Niyama, Renata Monteiro Reimberg e Antonio Sérgio Fernandes de Queiroz. Após iniciar cobranças aos responsáveis, Rodrigo afirma ter recebido contato de Diego Marins dos Santos, funcionário ligado ao grupo, exigindo retratação.

Ainda segundo o boletim, no mesmo dia outro homem passou a enviar mensagens se apresentando como integrante do PCC. Nas conversas, ele teria exigido que o empresário recuasse nas acusações, afirmando que Rodrigo estaria expondo um “irmão” sem culpa e mencionando o endereço de familiares do denunciante.

Rodrigo sustenta que os termos usados nas mensagens repetiam o mesmo padrão de fala já adotado anteriormente por Diego.

Processo judicial expõe disputa interna e suspeitas no Instituto Seema

As denúncias criminais surgem em meio a uma disputa judicial envolvendo a administração do Instituto Seema, organização social que mantém contratos milionários com prefeituras paulistas, entre elas Bertioga e novamente Ibiúna.

Uma ação em tramitação no Tribunal de Justiça de São Paulo questiona movimentações financeiras da entidade, falta de pagamento a fornecedores e supostos repasses indevidos.

O processo foi movido por Eduardo do Prado, eleito presidente do instituto em assembleia extraordinária realizada em novembro de 2025. Segundo a ação, a troca de diretoria ocorreu após sucessivas reclamações de fornecedores sem receber e suspeitas de pagamentos incompatíveis com os contratos públicos executados pela entidade.

Em decisão anterior, a Justiça chegou a determinar o afastamento de Antonio Sérgio Fernandes de Queiroz e Renata Monteiro Reimberg das funções administrativas do instituto diante de indícios de irregularidades, embora a liminar tenha sido posteriormente revertida.

Transferências financeiras e nomes recorrentes

Documentos anexados ao processo apontam que apenas em agosto de 2025 foram transferidos mais de R$ 647 mil para uma empresa ligada a Jonas Fernandes de Queiroz, irmão de Antonio Sérgio.

Nessa mesma empresa, Paulo Sérgio Niyama aparece com 90% de participação societária, enquanto Jonas detém 10%.

O nome de Diego Marins dos Santos — citado por Rodrigo no boletim de ameaça — também surge entre os beneficiários de valores, apesar de, segundo os autos, não figurar como fornecedor ou prestador formal da organização social.

Atuação nos bastidores de licitações públicas

Pessoas ouvidas pela reportagem afirmam que Niyama costuma atuar em licitações públicas nas áreas de saúde, educação e cultura, embora nem sempre apareça formalmente no quadro societário das entidades participantes.

“É o conhecido sócio oculto”, disse um empresário que pediu anonimato por receio de represálias.

Segundo essa fonte, Niyama também estaria nos bastidores de disputas por contratos públicos em municípios como Diadema e Iguape.

Em Bertioga, ele é citado como articulador de interesse em chamamento público aberto neste ano para gestão de atividades artístico-culturais, com valor estimado em R$ 3,4 milhões nos primeiros 12 meses.

Ação de improbidade em Iguape segue em andamento

O nome de Paulo Sérgio Niyama também aparece em ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público de São Paulo relacionada a contratos públicos em Iguape.

Na ação, aberta em 2016, o Ministério Público acusa ex-agentes públicos e empresários de superfaturamento na compra de aparelhos de ar-condicionado para a prefeitura durante a gestão da ex-prefeita Lumi Ishida.

O processo pede devolução de valores aos cofres públicos e bloqueio de bens dos investigados até o limite de R$ 105.499,00. A ação ainda não teve decisão definitiva.

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