Revista Poder

Grécia avança para restringir redes sociais entre menores e mobiliza famílias

Proposta de proibição para adolescentes reacende debate sobre limites, saúde mental e papel do Estado

Proposta busca conter vício digital e proteger jovens de riscos online (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Em meio ao aumento das preocupações com o impacto das redes sociais na saúde mental de adolescentes, a Grécia se prepara para adotar uma medida drástica. O governo deve anunciar nos próximos dias a proibição do acesso a plataformas digitais por menores de 15 anos, numa tentativa de conter problemas como dependência, exposição a conteúdos nocivos e episódios de violência virtual.

A iniciativa surge em um contexto de crescente apreensão entre famílias gregas. Muitos pais relatam dificuldades em controlar o tempo de uso dos filhos e em estabelecer limites eficazes. Em Atenas, histórias de tentativas frustradas de restringir o acesso ao celular se tornaram comuns, com responsáveis recorrendo a conversas, punições e até à retirada dos aparelhos, muitas vezes sem sucesso duradouro.

O possível veto acompanha uma tendência internacional de maior regulação do ambiente digital para jovens. A proposta grega dialoga com medidas adotadas em outros países, como a Austrália, que recentemente endureceu regras para o acesso de menores a redes sociais, prevendo sanções para empresas que descumprirem as normas.

Dados recentes ajudam a explicar o movimento. Levantamentos indicam amplo apoio popular à restrição, com a maioria da população favorável à intervenção estatal. Ao mesmo tempo, instituições dedicadas à segurança digital registraram aumento significativo nas denúncias envolvendo adolescentes, incluindo casos de cyberbullying, chantagem e disseminação de informações falsas.

Especialistas alertam que crianças e jovens ainda não possuem maturidade suficiente para lidar com os riscos do ambiente online. O crescimento expressivo de atendimentos em linhas de apoio voltadas a vítimas de violência digital reforça a urgência do debate.

Apesar disso, a proposta não é consenso. Parte dos pais teme que a proibição seja difícil de aplicar na prática ou que incentive adolescentes a buscar formas de burlar as restrições. Outros defendem que a responsabilidade deveria permanecer no âmbito familiar, com educação digital e acompanhamento mais próximo.

Entre os próprios jovens, a reação tende a ser de estranhamento. Para muitos adolescentes, a vida conectada é parte inseparável do cotidiano, o que torna qualquer tentativa de limitação um desafio adicional para governos e famílias.

A decisão final ainda não foi detalhada pelas autoridades gregas, mas o tema já evidencia um dilema global: como equilibrar proteção e autonomia em uma geração que cresceu imersa no universo digital.

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