Governo avalia zerar impostos sobre combustível de aviação para conter alta nas passagens

Proposta integra pacote emergencial que busca reduzir custos das companhias aéreas diante da pressão do mercado internacional

Medidas buscam evitar repasse integral dos custos ao consumidor (Foto: Reprodução/Elijah Nouvelage /Reuters)

O Ministério de Portos e Aeroportos estuda eliminar a cobrança de tributos federais sobre o querosene de aviação como forma de conter o avanço no preço das passagens aéreas no país. A iniciativa faz parte de um conjunto de medidas em análise pelo governo para amenizar o impacto do aumento dos custos operacionais das companhias.

O combustível, conhecido como QAV, representa uma das principais despesas do setor aéreo. A proposta prevê a retirada de impostos como PIS e Cofins, o que pode reduzir significativamente o custo das operações e, em tese, frear o repasse ao consumidor final.

A discussão ocorre em meio a um cenário de pressão internacional sobre os preços da energia. O recente reajuste anunciado pela Petrobras elevou o valor do combustível vendido às distribuidoras, refletindo a valorização do petróleo no mercado global. Esse movimento está diretamente ligado à instabilidade provocada pela guerra no Oriente Médio, que tem influenciado o custo do barril.

Além da desoneração tributária, o pacote apresentado ao Ministério da Fazenda inclui outras medidas de curto prazo. Entre elas está a criação de linhas de crédito para as companhias aéreas, com recursos públicos e operação via Banco do Brasil, permitindo acesso a financiamento com prazos estendidos.

Outra frente em negociação envolve o adiamento do pagamento de tarifas de navegação aérea, cobradas pela Força Aérea Brasileira pelo uso da infraestrutura do espaço aéreo. A ideia é aliviar temporariamente o caixa das empresas enquanto o setor enfrenta aumento expressivo de custos.

Representantes do governo devem se reunir nos próximos dias para definir quais medidas serão implementadas. A expectativa é que as decisões tenham impacto direto na formação dos preços das passagens, que já apresentam tendência de alta e podem subir ainda mais diante do cenário internacional.

Especialistas apontam que, sem intervenções, o aumento do combustível pode levar a reajustes significativos nas tarifas aéreas. O desafio do governo será equilibrar a sustentabilidade fiscal com ações capazes de evitar que o transporte aéreo se torne ainda mais caro para a população.