Irã e Estados Unidos rejeitaram a proposta de cessar-fogo elaborada pelo Paquistão e apresentada aos dois países nesta segunda-feira (6), segundo informações divulgadas por agências internacionais de notícias. O plano previa uma interrupção imediata dos confrontos, seguida de negociações para um acordo mais amplo que pudesse encerrar o conflito de forma definitiva.
De acordo com a agência estatal iraniana Irna, o governo de Teerã não aceitou a proposta por considerar que uma pausa temporária nos combates poderia beneficiar adversários ao permitir a reorganização de forças e a preparação de novos ataques. Em declaração oficial, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que a prioridade do país é negociar o fim permanente da guerra e evitar a repetição do conflito.
Proposta previa duas etapas de negociação
O plano apresentado pelo Paquistão foi estruturado em duas fases. A primeira previa um cessar-fogo imediato, que poderia abrir caminho para a reabertura do Estreito de Ormuz — rota estratégica para o transporte global de petróleo e atualmente fechada pelo Irã há mais de um mês.
Na segunda etapa, as partes teriam entre 15 e 20 dias para concluir um acordo definitivo. Esse entendimento final poderia incluir compromissos relacionados ao programa nuclear iraniano, em troca de alívio de sanções econômicas e da liberação de ativos financeiros congelados.
Estados Unidos tratam proposta como uma das opções
Nos Estados Unidos, a Casa Branca informou que o presidente Donald Trump não validou formalmente a proposta. Segundo autoridades norte-americanas, o plano é considerado apenas uma das alternativas em avaliação dentro do processo diplomático.
Fontes indicam que o chamado “Acordo de Islamabad” também poderia envolver encontros presenciais na capital paquistanesa para definir detalhes finais das negociações. O chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, teria mantido contato contínuo com representantes norte-americanos e iranianos durante a elaboração da proposta.
Tensão regional e impacto no mercado de energia
A iniciativa surge em um momento de forte escalada de tensões no Oriente Médio e de crescente preocupação internacional com os efeitos do conflito sobre o abastecimento global de petróleo. O Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa do petróleo comercializado no mundo, tornou-se um dos pontos centrais das negociações e das disputas estratégicas na região.
Mesmo com a rejeição inicial da proposta, autoridades iranianas indicaram que uma resposta diplomática formal ainda poderá ser anunciada, mantendo em aberto a possibilidade de novas negociações nos próximos dias.
Fonte: Globo
