China se pronuncia após BYD entrar em lista de trabalho escravo no Brasil

Governo chinês afirma exigir cumprimento das leis por empresas enquanto lista brasileira adiciona 169 novos empregadores após decisões administrativas definitivas

(Foto: Reprodução/Redes Sociais)

A inclusão da montadora chinesa BYD no cadastro brasileiro de empregadores associados a condições de trabalho análogas à escravidão provocou reação oficial do governo da China. Em manifestação pública, o Ministério das Relações Exteriores chinês declarou que o país atribui grande importância à proteção dos direitos dos trabalhadores e reforçou que suas empresas devem cumprir integralmente a legislação vigente nos locais onde atuam.

A atualização mais recente do cadastro, divulgada pelo governo brasileiro, incorporou 169 novos nomes, elevando o total de registros para mais de 600. A chamada “lista suja” é atualizada semestralmente e reúne empregadores responsabilizados após conclusão de processos administrativos, sem possibilidade de recurso. Os nomes permanecem por até dois anos, período em que precisam comprovar regularização e ausência de reincidência para serem excluídos.

Entre os casos que levaram à inclusão da BYD está o resgate de 220 trabalhadores chineses, em dezembro de 2024, durante a construção de uma fábrica no município de Camaçari, na Bahia. As autoridades relataram condições precárias de alojamento, restrições de liberdade e retenção de documentos. Também foram apontadas jornadas exaustivas e ausência de descanso semanal.

Na ocasião, a empresa informou que as irregularidades foram cometidas por uma terceirizada contratada para a obra e anunciou o encerramento do vínculo com a prestadora de serviços. A montadora também declarou não tolerar violações à legislação brasileira nem à dignidade dos trabalhadores e afirmou ter adotado medidas emergenciais para assistência aos envolvidos.

O caso resultou, posteriormente, em um acordo firmado com o Ministério Público do Trabalho da Bahia, que previu o pagamento de R$ 40 milhões em indenizações e compromissos relacionados à proteção de direitos trabalhistas.

Além da montadora, a nova atualização inclui empregadores de diferentes setores econômicos, com destaque para serviços domésticos, pecuária de corte e cultivo de café. Ao todo, 2.247 trabalhadores foram resgatados nas ocorrências analisadas, registradas entre 2020 e 2025 em diversos estados do país.

O cadastro também retirou 225 nomes que cumpriram o prazo mínimo de permanência e atenderam às exigências legais. Criada em 2004, a lista é considerada um dos principais instrumentos de transparência e combate ao trabalho análogo à escravidão no Brasil, com base em ações de fiscalização conduzidas por auditores e forças de inspeção em todo o território nacional.