O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou que a ampliação do uso de biodiesel pode reduzir a exposição do Brasil às oscilações da geopolítica internacional, especialmente em momentos de instabilidade no mercado global de energia. A declaração foi feita durante o lançamento da Aliança Biodiesel, iniciativa que reúne representantes do setor produtivo e busca fortalecer a cadeia de biocombustíveis no país.
A nova articulação foi formada pela Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) e pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). Juntas, as entidades congregam 16 fabricantes e 33 usinas em operação, o que representa uma parcela significativa da capacidade industrial brasileira na produção de biodiesel.
Produção nacional como alternativa à dependência energética
Durante o evento, Alckmin ressaltou que o investimento em combustíveis produzidos no país pode ampliar a autonomia energética e reduzir a vulnerabilidade a crises internacionais. Segundo ele, a produção doméstica de biodiesel contribui para estabilizar o abastecimento e diminuir a necessidade de importação de diesel, combustível frequentemente impactado por tensões geopolíticas e variações no preço do petróleo.
O vice-presidente também destacou características estruturais do setor energético brasileiro. Entre elas, a presença de etanol na gasolina e a ampla utilização de veículos flex, que podem ser abastecidos tanto com gasolina quanto com etanol. Para o governo, essas características posicionam o país de forma diferenciada na transição para fontes de energia mais sustentáveis.
Impactos ambientais e sociais na cadeia produtiva
Além dos efeitos econômicos, o governo federal aponta benefícios ambientais associados ao uso de biodiesel. De acordo com Alckmin, a substituição parcial de combustíveis fósseis por biocombustíveis pode contribuir para a melhoria da qualidade do ar e para a redução de emissões poluentes, com reflexos diretos na saúde pública.
O vice-presidente também destacou o papel social da cadeia produtiva do biodiesel. A produção envolve pequenos agricultores e gera empregos em diferentes etapas, desde o cultivo de matérias-primas até a distribuição do combustível. Dessa forma, o setor é visto como um instrumento de desenvolvimento regional e de geração de renda.
Medidas buscam conter impactos da alta do petróleo
O discurso ocorreu em um contexto de aumento nos preços internacionais do petróleo, associado a tensões no Oriente Médio. Para mitigar os efeitos desse cenário sobre consumidores e empresas, o governo federal anunciou medidas tributárias e de subsídio voltadas ao setor de combustíveis.
Entre as iniciativas, estão ações para zerar tributos federais sobre o biodiesel e reduzir o impacto do custo do gás de cozinha e do querosene de aviação. A estratégia busca preservar o abastecimento e limitar a pressão inflacionária sobre itens essenciais, ao mesmo tempo em que reforça a política de incentivo aos biocombustíveis como alternativa energética e econômica para o país.
Fonte: Agencia Brasil
