Uma determinação oficial que deveria encerrar uma operação considerada inadequada ainda não se refletiu totalmente na prática em Itapevi, na região metropolitana de São Paulo. Um incinerador industrial, impedido de funcionar após reprovação técnica, segue envolto em questionamentos sobre sua atividade.
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo negou a licença de operação da unidade pertencente à Sistema Nova Ambiental, após análise detalhada das condições do equipamento. O parecer concluiu que a estrutura não atende aos critérios exigidos e que os testes apresentados não possuem consistência técnica suficiente para validar o funcionamento.
Com isso, a autorização foi recusada, o que, em tese, inviabiliza qualquer tipo de operação no local. Ainda assim, há sinais de que a rotina da unidade não foi completamente interrompida, o que tem causado apreensão entre moradores e especialistas.
A reprovação está diretamente ligada à qualidade das medições apresentadas pela empresa. O relatório aponta falhas relevantes nos dados relacionados à emissão de substâncias altamente tóxicas, como dioxinas e furanos. A falta de confiabilidade dessas informações compromete toda a avaliação ambiental.
Mesmo sem validação, os próprios resultados indicavam problemas. Foram identificadas emissões acima dos limites legais e oscilações no desempenho do sistema de incineração. Entre os pontos mais sensíveis está a liberação de ácido clorídrico em níveis superiores ao permitido, substância que pode causar danos significativos ao meio ambiente e à saúde.
De acordo com especialistas, a instabilidade no controle das emissões é um fator crítico, pois indica falhas no processo de queima. Esse tipo de irregularidade aumenta o risco de dispersão de poluentes perigosos, tornando a operação insegura.
Apesar da negativa da licença, informações apontam que o incinerador continua recebendo resíduos industriais, incluindo materiais potencialmente perigosos. Caso essa prática seja confirmada, pode representar não apenas infração ambiental, mas também um risco direto à população.
A preocupação é ainda maior devido à localização da unidade, situada próxima a áreas habitadas. Moradores já relataram incômodos relacionados a odores, mas os impactos podem ir além, especialmente considerando a natureza das substâncias envolvidas.
Compostos como dioxinas e furanos são conhecidos por seus efeitos cumulativos no organismo. A exposição prolongada está associada a doenças graves, incluindo alterações hormonais, comprometimento do sistema imunológico e diferentes tipos de câncer.
Outro aspecto que chama atenção é o possível descumprimento de protocolos básicos de segurança. Em situações onde não há validação técnica, o correto seria utilizar materiais controlados durante os testes, e não resíduos perigosos reais.
Se a operação irregular for confirmada, o caso pode indicar falhas relevantes nos procedimentos adotados pela empresa.
A CETESB informou que mantém o acompanhamento da situação e reforçou que a decisão de negar a licença foi baseada em critérios técnicos. O órgão também não descarta o acionamento de outras instâncias, caso sejam constatadas irregularidades, incluindo possíveis inconsistências nas informações apresentadas.
Mais do que um caso isolado, a situação levanta questionamentos sobre o controle da destinação de resíduos perigosos no estado. A divergência entre a decisão oficial e o que pode estar ocorrendo na prática expõe a necessidade de apuração rigorosa.
Diante desse cenário, permanece a dúvida sobre como uma atividade considerada inadequada pelas autoridades ainda pode seguir em funcionamento.
