O dólar voltou a recuar e passou a operar abaixo de R$ 5 nesta segunda-feira (13), em um dia marcado por forte volatilidade nos mercados globais. A movimentação ocorre em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio, após o início do bloqueio naval dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz — uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.
Por volta das 15h, a moeda americana registrava queda de 0,36%, cotada a R$ 4,99. Ao mesmo tempo, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, inverteu o sinal e passou a subir, refletindo o ajuste dos investidores diante do novo cenário internacional.
Petróleo sobe e mercado reage ao bloqueio naval
O início do bloqueio no Estreito de Ormuz provocou impacto imediato no mercado de energia. A região é considerada estratégica para o comércio global, já que concentra uma parcela relevante do fluxo de petróleo e gás. Por isso, qualquer restrição na passagem de navios tende a elevar o preço da commodity.
Pela manhã, o barril do petróleo tipo Brent chegou a subir mais de 7%, ultrapassando a marca de US$ 100. No decorrer da tarde, os ganhos diminuíram, mas a commodity seguiu em alta. O petróleo WTI apresentou comportamento semelhante, refletindo a preocupação dos investidores com possíveis interrupções no abastecimento global.
Além disso, relatos indicaram que algumas embarcações passaram a evitar a região, enquanto petroleiros associados ao Irã deixaram o Golfo Pérsico. Como resultado, o mercado de transporte marítimo registrou instabilidade em um dos corredores logísticos mais importantes do mundo.
Inflação e juros entram no radar dos investidores
No Brasil, o cenário internacional se soma a fatores domésticos que também influenciam o comportamento do câmbio e da bolsa. Um dos destaques do dia foi a divulgação do Boletim Focus, relatório semanal do Banco Central que reúne projeções do mercado financeiro.
Segundo o levantamento, a expectativa de inflação para 2026 voltou a subir e superou o teto da meta estabelecida para o período. Esse movimento ocorre em meio às incertezas relacionadas ao conflito no Oriente Médio e ao impacto potencial nos preços de energia e combustíveis.
Ao mesmo tempo, investidores acompanham declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante encontros do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional. As falas são observadas de perto, já que podem sinalizar os próximos passos da política monetária brasileira.
Volatilidade deve continuar no curto prazo
O comportamento do dólar e da bolsa ao longo do dia indica que o mercado segue sensível às notícias internacionais. Em momentos de tensão geopolítica, investidores tendem a reagir rapidamente a qualquer mudança no cenário.
Assim, enquanto persistirem as incertezas sobre o conflito e o fluxo de petróleo na região, a tendência é de volatilidade nos mercados financeiros. O câmbio, os preços de energia e as expectativas de inflação devem continuar no centro das atenções nos próximos dias.
