Revista Poder

União cobre R$ 384 milhões em dívidas de estados e municípios e reforça mecanismo de garantia financeira

Pagamentos realizados em março envolvem principalmente Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro; valor acumulado no ano já se aproxima de R$ 1 bilhão

Crédito: Marcello Casal JrAgência Brasil

A União desembolsou R$ 384,11 milhões em março para cobrir dívidas atrasadas de estados e municípios, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional. A medida faz parte do mecanismo de garantias federais, acionado quando entes federativos deixam de honrar compromissos financeiros em operações de crédito.

Entre os estados que tiveram débitos quitados estão Rio Grande do Sul, responsável pela maior parcela do valor, com R$ 250,07 milhões, seguido por Rio de Janeiro, com R$ 128,67 milhões, e Rio Grande do Norte, com R$ 2,55 milhões. No âmbito municipal, receberam cobertura da União as prefeituras de Iguatu (CE), Paranã (TO) e Santanópolis (BA), com valores menores.

Valor acumulado no ano se aproxima de R$ 1 bilhão

Nos três primeiros meses de 2026, o total de dívidas honradas pelo governo federal já alcança R$ 993,8 milhões, envolvendo quatro estados e quatro municípios. Nesse período, os maiores volumes também se concentraram no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, que somam juntos a maior parte dos recursos desembolsados.

Esse tipo de operação ocorre quando um estado ou município se torna inadimplente. Nesses casos, o Tesouro assume temporariamente o pagamento, mas retém posteriormente recursos federais destinados ao ente devedor, como repasses de fundos de participação e receitas vinculadas a tributos. Além disso, incidem juros e encargos até a quitação integral do débito.

Programa de renegociação amplia alternativas para os estados

Paralelamente aos pagamentos emergenciais, o governo federal mantém em vigor o Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag), criado para facilitar a reorganização financeira das unidades federativas. O programa prevê condições como parcelamento das dívidas em até 30 anos e redução de juros, desde que os estados adotem medidas de ajuste fiscal e aportem recursos em um fundo voltado a investimentos públicos.

Até o momento, 22 estados aderiram ao programa, demonstrando adesão significativa à política de renegociação. Os recursos liberados por meio desse mecanismo podem ser direcionados a áreas estratégicas, como educação, segurança pública, saneamento, habitação e infraestrutura.

Situação especial no Rio Grande do Sul

No caso do Rio Grande do Sul, a União adotou medidas excepcionais após as enchentes registradas em 2024. O pagamento da dívida estadual foi suspenso por 36 meses, e os juros aplicados ao saldo também foram temporariamente perdoados. Com isso, o estado passou a contar com cerca de R$ 11 bilhões disponíveis para ações de reconstrução e recuperação econômica.

O cenário evidencia o papel da União como garantidora financeira do sistema federativo. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de equilíbrio fiscal e planejamento de longo prazo por parte dos estados e municípios, especialmente em contextos de instabilidade econômica ou eventos emergenciais.

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