Dólar abaixo de R$ 5,00: a trégua no câmbio e o alerta da inflação global

A moeda americana atinge o menor valor em dois anos, mas a instabilidade no Oriente Médio eleva as projeções de juros para 2026

Crédito: CC/Unsplash

O início da semana trouxe um respiro para o câmbio no Brasil, mas o cenário global permanece em um delicado equilíbrio. O dólar fechou esta segunda-feira (20) em queda de 0,17%, cotado a R$ 4,97 — o menor valor registrado desde março de 2024. Enquanto a moeda americana recua, o Ibovespa seguiu em rota de valorização, fechando com alta de 0,20%, aos 196.132 pontos.

Apesar da queda acumulada do dólar no ano (que já chega a quase 10%), o otimismo dos investidores é contido por sinais contraditórios vindos do exterior. O foco total está nas negociações entre Estados Unidos e Irã, que oscilam entre promessas de acordos rápidos e novos incidentes militares.

Geopolítica e o “Efeito Petróleo”

O vaivém diplomático entre o presidente Donald Trump e as autoridades iranianas é o principal motor da volatilidade. De um lado, Trump utiliza suas redes sociais para projetar confiança em um desfecho ágil; de outro, o Irã aponta “violações contínuas” como obstáculos para a paz.

Essa incerteza reflete diretamente no custo das commodities. O petróleo tipo Brent disparou mais de 5% hoje, ultrapassando os US$ 95 o barril. Para o consumidor brasileiro, o alerta é claro: o aumento no mercado internacional de energia acaba pressionando a inflação doméstica.

O que esperar para 2026?

A intensificação do conflito no Oriente Médio já altera as projeções dos analistas financeiros no Brasil. Segundo o Boletim Focus divulgado hoje:

  • Inflação em alta: A projeção para o IPCA em 2026 subiu para 4,80%, superando o teto da meta estabelecida pelo Banco Central (4,5%).
  • Juros e Selic: Embora o mercado ainda preveja quedas na taxa de juros, o ritmo deve ser mais lento. A estimativa para a Selic ao final de 2026 subiu de 12,50% para 13% ao ano.

O cenário nas bolsas globais

Enquanto a bolsa brasileira conseguiu sustentar o azul, o clima nas capitais financeiras do mundo foi de cautela. Em Nova York, os índices S&P 500 e Nasdaq fecharam em queda, acompanhados pelas principais bolsas europeias (França e Alemanha recuaram cerca de 1,1%). O mercado global parece estar em “modo de espera”, aguardando o desembarque do vice-presidente dos EUA, JD Vance, no Paquistão, para a nova rodada de negociações de paz.

Fonte: Globo