Congresso sinaliza resistência a possível fim de imposto sobre “taxa das blusinhas”

Parlamentares ligados ao setor produtivo defendem manutenção da medida e cobram equilíbrio tributário

Supremo Tribunal Federal (Foto: Reprodução/STF)

A possibilidade de revisão do imposto aplicado a compras internacionais de baixo valor já mobiliza o Congresso Nacional. Parlamentares vinculados a frentes voltadas ao setor produtivo indicam que uma eventual proposta de revogação da chamada taxa sobre encomendas estrangeiras deve enfrentar obstáculos no Legislativo.

Criada com o argumento de equilibrar a concorrência entre produtos importados e nacionais, a medida passou a tributar compras de até 50 dólares feitas em plataformas internacionais. Desde então, representantes da indústria têm defendido sua manutenção, alegando que a cobrança ajuda a reduzir a desigualdade tributária enfrentada por empresas brasileiras.

Nos bastidores, há avaliação de que o tema ganhou peso político por seus efeitos na percepção popular, especialmente em um cenário pré-eleitoral. Ainda assim, parte dos congressistas afirma que decisões sobre o assunto não devem ser guiadas apenas pelo apelo junto ao eleitorado, mas também pelos impactos econômicos de longo prazo.

Entre os argumentos apresentados, está a preocupação com a competitividade da indústria nacional. Setores como o têxtil e o de bens de consumo apontam que a isenção anterior favorecia produtos estrangeiros, que chegavam ao consumidor com preços mais baixos devido a uma carga tributária reduzida.

Outro ponto levantado por parlamentares é a necessidade de discutir o sistema tributário de forma mais ampla. Caso haja mudança na regra atual, há quem defenda a revisão de impostos incidentes sobre a produção nacional, com o objetivo de criar condições mais equilibradas entre empresas brasileiras e concorrentes internacionais.

Além do impacto no mercado, o debate também envolve questões fiscais. A arrecadação gerada pela taxação das compras internacionais passou a representar uma fonte relevante de receita, o que adiciona complexidade à discussão sobre sua continuidade ou eventual revisão.

Sem uma definição oficial por parte do governo, o tema deve avançar no Congresso nas próximas semanas, com negociações que tendem a envolver tanto interesses econômicos quanto considerações políticas.