Governo brasileiro leva sistema Pix ao centro de negociação com EUA

Governo brasileiro espera que diálogo político ajude a reduzir pressão sobre sistema de pagamentos

Foto: Reprodução/Redes Sociais

O governo brasileiro pretende incluir o sistema de transferências instantâneas Pix na pauta da reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder norte-americano Donald Trump, marcada para esta semana em Washington. A expectativa é que o encontro contribua para amenizar a investigação comercial aberta pelos Estados Unidos que envolve o modelo brasileiro.

A apuração está em andamento no USTR, órgão responsável pela política comercial americana. Embora o processo tenha caráter técnico, integrantes do governo avaliam que o contexto diplomático pode influenciar os desdobramentos, especialmente diante de uma aproximação entre os dois países.

O Pix passou a ser observado por autoridades americanas sob a justificativa de que o sistema, operado pelo Banco Central, poderia afetar a competitividade de empresas privadas internacionais do setor de pagamentos. Atualmente, a ferramenta responde por uma parcela significativa das transações financeiras no Brasil, consolidando-se como um dos principais meios de pagamento do país.

A investigação foi aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, dispositivo que permite aos Estados Unidos analisar práticas consideradas prejudiciais às suas empresas. Esse mecanismo já foi utilizado em disputas comerciais com outros países e pode resultar em medidas como tarifas adicionais ou restrições.

Nos bastidores, o tema tem gerado apreensão entre autoridades brasileiras, sobretudo pela possibilidade de impactos nas relações comerciais. A viagem de Lula ocorre em um momento de tentativa de reaproximação diplomática, após episódios recentes de divergência entre os dois governos.

Além do sistema de pagamentos, a agenda bilateral deve incluir discussões sobre tarifas, cooperação em segurança e parcerias em setores estratégicos, como o de minerais considerados essenciais para a indústria tecnológica.

A estratégia do governo brasileiro é buscar uma solução por meio do diálogo direto entre os chefes de Estado, apostando que a via política possa contribuir para reduzir tensões e evitar medidas que afetem o ambiente econômico entre os dois países.