Impulsionado por uma transformação no estilo de vida da população, o mercado fitness vive uma expansão consistente no Brasil e no mundo. Mais do que uma tendência, o movimento reflete uma mudança estrutural na forma como o consumidor se relaciona com saúde, bem-estar e performance, que passam a ocupar um papel central na rotina.
No país, esse avanço acompanha um cenário global já consolidado e reforça o protagonismo brasileiro no setor. Segundo a Future Market Insights, o Brasil está entre os mercados com maior ritmo de crescimento em suplementos e já ocupa a terceira posição no consumo mundial, atrás apenas de Estados Unidos e Austrália. Globalmente, a expectativa é que o setor atinja US$ 65,7 bilhões até 2036, com crescimento médio anual de cerca de 9,5%, refletindo a consolidação da saúde como prioridade contínua.
Esse novo comportamento impulsiona não só o consumo, mas também a profissionalização das empresas, que passam a investir em inovação, governança e posicionamento. É nesse contexto que a Black Skull USA inicia um novo ciclo sob a liderança de Felipe Lira, com foco em expansão digital, eficiência operacional e fortalecimento estratégico da marca.
Em entrevista exclusiva ao PODER, o executivo analisa o cenário do mercado, comenta a nova fase da empresa e destaca o potencial de crescimento no Brasil.
O que explica o crescimento acelerado do mercado fitness hoje?
Esse crescimento não é recente. Talvez, depois da pandemia, ele tenha entrado em maior ascensão devido a uma combinação de fatores. O principal é a mudança do papel da saúde na vida das pessoas: ela deixa de ser restrita a um grupo limitado de amantes da prática esportiva e daqueles que praticavam atividade física de forma reativa, passando a ter um caráter mais preventivo e contínuo. Isso se refletiu em um aumento relevante na prática de atividade física e em uma lógica mais ampla de “economia do bem-estar”. Conectado a isso, vem toda uma cadeia de elementos, de suplementos a profissionais ligados ao tema, que torna o mercado mais acessível, recorrente e orientado à performance, à qualidade de vida e à longevidade.
O consumidor brasileiro já está mais maduro nesse mercado?
O mercado ainda está em desenvolvimento, mas já mostra sinais claros de amadurecimento. Hoje, o consumidor tem mais repertório técnico, entende melhor macronutrientes e a funcionalidade dos produtos, além de consumir com objetivos definidos, seja performance, estética ou saúde. Isso se reflete em maior recorrência e também em um comportamento mais crítico em relação à qualidade, procedência e transparência das marcas.
Qual o papel da suplementação nessa nova rotina?
A suplementação passa a ocupar um papel estrutural dentro da jornada de saúde e performance. Ela se integra à rotina, funcionando como um complemento nutricional estratégico. Isso acompanha a evolução do próprio consumidor, que busca eficiência, seja para otimizar a recuperação muscular, melhorar o desempenho ou suprir lacunas nutricionais de forma prática. Mais recentemente, com o advento de medicamentos à base de GLP-1, a suplementação proteica se tornou vital para a preservação da massa magra em pessoas submetidas a esse tratamento, sendo prescrita por médicos e nutricionistas praticamente como um complemento obrigatório ao medicamento.
Quais são os principais desafios para as marcas do setor?
O principal desafio é sustentar crescimento em um mercado que está escalando rapidamente. Isso exige ganho de eficiência operacional, controle da cadeia produtiva, governança e consistência de marca. Além disso, há uma pressão crescente por novos produtos e fontes de proteína que ofereçam a mesma qualidade, rastreabilidade e conformidade regulatória, em um cenário no qual o consumidor está mais informado e menos tolerante a promessas vazias.
E as principais oportunidades?
O Brasil ainda tem um potencial relevante de expansão. Os últimos dados mostram que a penetração da população brasileira em academias ainda é praticamente metade da americana. Ou seja, ainda existe uma parcela significativa de potenciais entrantes no universo fitness. As oportunidades passam por inovação de portfólio, avanço em categorias adjacentes, personalização e uso de tecnologia para entender melhor o consumidor. Além disso, há espaço para a construção de marcas com posicionamento claro e diferenciação, especialmente em um mercado cada vez mais competitivo e fragmentado.
O que motivou as recentes mudanças na estrutura da Black Skull USA?
As mudanças são resultado de um processo estruturado de turnaround iniciado no primeiro semestre de 2025. Ao longo desse período, foram identificadas oportunidades relevantes de evolução na forma como a empresa opera, decide e executa. O objetivo foi preparar a companhia para um novo ciclo de crescimento, com maior eficiência, governança fortalecida e foco consistente em geração de valor no longo prazo.
O que muda de fato na Black Skull a partir desse novo momento?
O principal avanço está na maturidade da gestão. A empresa passa a operar com processos mais estruturados, maior integração entre áreas, definição clara de indicadores de performance e uma base organizacional preparada para escalar. Trata-se de uma evolução para um modelo mais disciplinado e orientado a resultados, sem abrir mão da agilidade e da capacidade de inovação que fazem parte do DNA da marca.
O que muda na Black Skull a partir da sua gestão?
O foco está em estruturar a companhia para um ciclo consistente de crescimento. Isso passa por disciplina financeira, melhoria de margens, eficiência operacional e evolução do posicionamento da marca. A agenda está centrada em transformar a empresa em uma operação mais escalável, previsível e orientada à geração de valor no longo prazo.
O digital ganha mais relevância nesse cenário?
O digital é um dos eixos centrais da estratégia. Ele impacta toda a jornada, da aquisição à retenção. Além das vendas, é fundamental na construção de marca, na educação do consumidor e na geração de dados. Uma boa atuação no digital impacta não somente a empresa, mas também nossos parceiros comerciais no físico. Em um ambiente cada vez mais competitivo, a capacidade de operar com excelência no digital é um diferencial direto de crescimento e eficiência.