O governo federal iniciou uma ofensiva diplomática para tentar reverter a decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e produtos de origem animal ao bloco. A medida foi recebida com surpresa pelo Palácio do Planalto, que classificou o sistema sanitário brasileiro como “robusto” e reconhecido internacionalmente.
Em nota conjunta divulgada nesta terça-feira (12), os ministérios da Agricultura, das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio afirmaram que o Brasil adotará todas as medidas necessárias para recuperar a autorização e garantir a continuidade das exportações ao mercado europeu, considerado estratégico para o agronegócio nacional.
A restrição foi anunciada após a atualização da lista de países que atendem às exigências sanitárias da União Europeia relacionadas ao uso de antimicrobianos na pecuária. Segundo autoridades europeias, o Brasil não apresentou garantias suficientes sobre a ausência dessas substâncias em todas as etapas da produção animal.
A decisão pode afetar diretamente as exportações brasileiras de carne bovina, aves, ovos, mel, pescado e outros produtos de origem animal a partir de setembro, quando as novas regras passam a valer oficialmente.
Diante do impacto econômico da medida, o governo brasileiro já marcou uma reunião entre representantes diplomáticos e autoridades sanitárias europeias para discutir o tema. O objetivo é demonstrar que o país possui mecanismos de fiscalização, rastreabilidade e controle compatíveis com os padrões internacionais exigidos pelo bloco.
Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que a decisão ocorre em um momento sensível para as relações comerciais entre Mercosul e União Europeia, especialmente após o avanço do acordo comercial entre os blocos. Apesar disso, especialistas apontam que a restrição tem caráter sanitário e está ligada às políticas europeias de combate ao uso excessivo de antimicrobianos na produção pecuária.
Nos últimos meses, o Ministério da Agricultura publicou novas regras restringindo o uso de parte dessas substâncias no Brasil, incluindo medicamentos utilizados como promotores de crescimento animal. O setor produtivo afirma que trabalha em parceria com o governo para adequar protocolos e garantir a manutenção dos embarques.
Entidades do agronegócio demonstraram preocupação com a decisão, mas defenderam que o Brasil possui um dos sistemas de controle sanitário mais rigorosos do mundo. Associações ligadas às exportações de carne e proteína animal afirmam que pretendem colaborar com as autoridades brasileiras para atender às exigências europeias e evitar prejuízos ao setor.
A União Europeia é atualmente um dos principais destinos das exportações brasileiras de proteína animal, ficando atrás apenas da China em volume de compras de carnes em geral.
