Instituições financeiras de todo o país devem concluir nesta terça-feira a transferência de recursos esquecidos por clientes para o Fundo Garantidor de Operações, mecanismo que dará suporte ao novo programa de renegociação de dívidas do governo federal. A medida faz parte das ações ligadas ao Desenrola 2.0, voltado à recuperação financeira de famílias endividadas.
Segundo dados atualizados do Banco Central do Brasil, os valores ainda não resgatados por correntistas chegam a R$ 10,57 bilhões. O montante inclui recursos deixados por pessoas físicas e empresas em contas bancárias, consórcios e cooperativas financeiras.
A maior parte desse dinheiro pertence a cidadãos que mantinham contas encerradas, saldos esquecidos ou créditos não movimentados em instituições financeiras. Os bancos concentram a fatia mais significativa dos recursos disponíveis, seguidos por administradoras de consórcio e cooperativas de crédito.
Do total transferido ao fundo público, R$ 5 bilhões serão utilizados para garantir operações de crédito dentro do Novo Desenrola Brasil. O programa tem como foco consumidores com renda mensal de até cinco salários mínimos e busca facilitar acordos para quitação de dívidas em atraso.
A regulamentação prevê que o Ministério da Fazenda publique um edital com informações detalhadas sobre os valores encaminhados ao fundo. O sistema permitirá que cidadãos consultem individualmente os recursos vinculados ao seu CPF ou empresa, incluindo dados da instituição financeira de origem.
Mesmo após a transferência, parte dos recursos continuará reservada para atender futuras solicitações de devolução. De acordo com as regras estabelecidas pelo governo, 10% do saldo permanecerá separado para garantir o ressarcimento de beneficiários que venham a reivindicar os valores posteriormente.
O Sistema de Valores a Receber do Banco Central já devolveu mais de R$ 14 bilhões a correntistas desde sua criação. Ainda assim, milhões de brasileiros seguem com recursos esquecidos em instituições financeiras espalhadas pelo país.
A expectativa do governo é que a nova etapa do Desenrola amplie o acesso ao crédito e ajude famílias endividadas a reorganizar a vida financeira em meio ao cenário de alto comprometimento de renda observado nos últimos anos.
