A Avenida Paulista poderá receber até dois novos megashows gratuitos por ano após a aprovação de um acordo pelo Conselho Superior do Ministério Público de São Paulo. A decisão foi tomada nesta terça-feira (12), por placar apertado de 6 votos a 5, após horas de debates sobre os impactos urbanos, ambientais e operacionais de grandes eventos na região central da capital.
Com a homologação do novo entendimento, a Prefeitura de São Paulo ganha autorização para ampliar o calendário de atrações na avenida, que atualmente já recebe eventos tradicionais como a Parada do Orgulho LGBT+, a Corrida de São Silvestre e o Réveillon.
A proposta revisa um acordo firmado ainda em 2007, que limitava o número de grandes eventos anuais na via. A gestão municipal agora pretende promover apresentações gratuitas de artistas internacionais, seguindo um modelo semelhante ao adotado em Copacabana, no Rio de Janeiro.
Apesar da aprovação, o Ministério Público estabeleceu uma série de condicionantes para a realização dos espetáculos. Antes de cada evento, a prefeitura deverá apresentar estudos técnicos sobre capacidade de público, segurança, mobilidade urbana, impacto sonoro e funcionamento dos serviços de saúde na região.
Também será obrigatória a apresentação de planos de evacuação, controle de multidões e protocolos de emergência elaborados em conjunto com órgãos como Corpo de Bombeiros, CET, SPTrans e Metrô. Hospitais instalados no entorno da Paulista deverão participar das estratégias de atendimento em situações críticas.
Outro ponto central do acordo envolve os custos operacionais dos eventos. O colegiado determinou que os shows não poderão gerar despesas ao município. Gastos com estrutura, limpeza, segurança e logística deverão ser assumidos por patrocinadores ou empresas organizadoras, com previsão de multas em caso de descumprimento.
A discussão no Ministério Público dividiu opiniões. Parte dos conselheiros defendia o aprofundamento das análises antes da liberação, alegando ausência de estudos prévios e pouca participação da sociedade civil no processo. Já o grupo favorável entendeu que seria possível aprovar o acordo desde que houvesse fiscalização rigorosa e cumprimento integral das exigências técnicas.
Representantes de moradores da região demonstraram preocupação com os impactos dos megashows, principalmente em relação ao barulho e à movimentação intensa de pessoas. Integrantes da prefeitura, por outro lado, argumentaram que São Paulo possui experiência consolidada na organização de eventos de grande porte e destacaram o potencial cultural e turístico da iniciativa.
Nos bastidores, a administração municipal já avalia possíveis atrações internacionais para futuras apresentações gratuitas na Paulista. Bandas como U2, Coldplay, Foo Fighters e Rolling Stones aparecem entre os nomes cogitados para os próximos anos.
