O Ministério Público de São Paulo apresentou denúncia à 2ª Vara Criminal de Barueri contra o empresário Saul Klein e outras nove pessoas por suposta participação em uma organização criminosa voltada ao aliciamento e exploração sexual de mulheres e adolescentes.
Saul Klein é um dos herdeiros do Grupo Casas Bahia e filho do empresário Samuel Klein, fundador da tradicional rede varejista brasileira. Conhecido no meio empresarial e social por seu patrimônio bilionário e pela influência construída ao longo de décadas no setor varejista, Saul passou a ser alvo de investigações após denúncias de mulheres que relataram supostos episódios de exploração sexual, aliciamento e violência psicológica ocorridos ao longo de vários anos.
Segundo a denúncia protocolada em 31 de março de 2026, o esquema teria atuado entre 2006 e 2020 em imóveis localizados em Alphaville e Boituva.
De acordo com o Ministério Público, o grupo promovia o recrutamento de jovens sob falsas promessas de trabalho como modelos, promotoras de eventos e outras atividades profissionais, utilizando empresas de fachada para conferir aparência de legalidade às abordagens.
A denúncia descreve uma estrutura organizada com divisão de tarefas, envolvendo desde a captação das vítimas por redes sociais até o controle interno das mulheres nos imóveis frequentados pelo empresário. O documento cita ainda retenção de celulares, consumo forçado de álcool e medicamentos, utilização de documentos falsos e episódios de humilhação coletiva.
Entre os crimes imputados estão organização criminosa, tráfico de pessoas para fins de exploração sexual, favorecimento da prostituição e violação sexual mediante fraude. O Ministério Público pediu indenização mínima de R$ 1 milhão para cada vítima pelos danos materiais, morais e psicológicos supostamente sofridos.
A denúncia também destaca o trabalho do projeto Justiceiras, iniciativa de acolhimento a mulheres vítimas de violência. Psicólogas ligadas ao projeto foram arroladas como testemunhas após realizarem escutas e atendimentos especializados às vítimas durante a investigação.
Um dos principais nomes envolvidos no apoio às vítimas foi a ex-promotora de Justiça Gabriela Manssur, fundadora do Justiceiras e atualmente advogada das mulheres no processo. Reconhecida nacionalmente pela defesa dos direitos das mulheres, Gabriela teve papel decisivo no acolhimento jurídico e psicológico das vítimas desde os primeiros relatos, ajudando a garantir suporte humanizado e segurança para que os depoimentos chegassem às autoridades.
Em nota, Gabriela Manssur afirmou:
“Casos de violência contra mulheres nunca devem ser recebidos com alegria. Mas o recebimento da denúncia representa uma importante resposta institucional para vítimas que tiveram coragem de romper o silêncio.
Há mais de seis anos, ainda como Promotora de Justiça, acompanhei parte dessas mulheres por meio do projeto Justiceiras, que realizou acolhimento jurídico e atendimento psicológico especializado às vítimas. Hoje sou a advogada delas.
Muitas pessoas acreditavam que esse caso jamais teria consequências. Por isso, esse momento também simboliza algo muito importante: ninguém está acima da lei.
Violência contra mulheres é crime, deve ser investigada com seriedade e, quando comprovada, deve gerar responsabilização.
Quando uma vítima é ouvida, todas as mulheres avançam.”
Gabriela Manssur Advogada das vítimas Especialista em Direitos das Mulheres