Revista Poder

Fintechs da Faria Lima seguem na mira do MP por suspeita de lavagem de dinheiro

Nova fase da Operação Fluxo Oculto aponta movimentações bilionárias e uso de plataformas financeiras para esconder recursos

Foto: Reprodução/ Unsplash

O Ministério Público de São Paulo deflagrou nesta quinta-feira (28) uma nova etapa da Operação Carbono Oculto, agora denominada Fluxo Oculto, para investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado cerca de R$ 26 bilhões por meio de fintechs instaladas na Avenida Faria Lima, principal centro financeiro da capital paulista.

Segundo os investigadores, o grupo criminoso continuou operando mesmo após ações policiais realizadas em 2025. A apuração aponta que empresas de tecnologia financeira foram utilizadas para dificultar o rastreamento de recursos provenientes de atividades ilegais, incluindo adulteração de combustíveis, sonegação fiscal e operações ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

A ofensiva é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em parceria com a Receita Federal. Ao todo, foram expedidos 59 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Empresários, operadores financeiros e suspeitos de atuar como laranjas estão entre os alvos.

De acordo com o MP, o esquema utilizava mecanismos financeiros conhecidos como contas-bolsão e contas gráficas. Na prática, as fintechs concentravam recursos de dezenas de clientes em uma única conta registrada em bancos tradicionais, o que dificultava a identificação dos verdadeiros donos do dinheiro.

Os promotores afirmam que essa estrutura criava uma camada de ocultação capaz de impedir o rastreamento detalhado das movimentações por órgãos de fiscalização financeira. Com acesso aos registros internos dessas plataformas, os investigadores passaram a identificar origem, destino e beneficiários das operações suspeitas.

As investigações também apontam que o grupo ampliou o desvio de solventes petroquímicos usados ilegalmente na adulteração de gasolina. Empresas de fachada teriam sido abertas para simular operações comerciais inexistentes, enquanto caminhões desviavam a carga para distribuidoras e terminais clandestinos.

Segundo o Ministério Público, mais de 135 milhões de litros de nafta foram desviados em pouco mais de dois anos. O prejuízo estimado com sonegação fiscal supera R$ 200 milhões.

Os investigadores afirmam ainda que fundos de investimento foram utilizados para dar aparência legal ao dinheiro obtido pelo esquema. A suspeita é de que operações financeiras simuladas permitiam mascarar os beneficiários finais dos recursos.

Entre os principais nomes citados na investigação estão Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, chamado de “Beto Louco”. Ambos são apontados como líderes da organização e seguem foragidos desde o ano passado.

A nova fase da operação também mira empresas de pagamento digital, holdings e fundos de investimento suspeitos de facilitar a circulação dos recursos ilícitos. O Ministério Público informou que o objetivo é interromper a atuação financeira da organização e aprofundar o rastreamento patrimonial dos investigados.

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