A tradicional corrida anual para reunir documentos e preencher a declaração do Imposto de Renda pode estar com os dias contados. O governo federal trabalha em um projeto que pretende tornar o procedimento praticamente automático, reduzindo a necessidade de intervenção dos contribuintes.
A previsão foi apresentada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que afirmou que a mudança poderá se tornar realidade em um prazo de dois a três anos. A proposta prevê que os dados financeiros dos cidadãos sejam reunidos automaticamente por meio da integração de diferentes bases de informações já disponíveis para o poder público.
Na prática, o novo modelo permitiria que o sistema elaborasse a declaração com base em dados bancários, registros empresariais, investimentos, despesas médicas e outras informações já comunicadas à Receita Federal por instituições e empresas. Caberia ao contribuinte apenas verificar os dados apresentados e confirmar sua veracidade.
A iniciativa representa um avanço em relação ao modelo de declaração pré-preenchida, que vem sendo ampliado nos últimos anos. Atualmente, essa modalidade já disponibiliza uma série de informações previamente inseridas no sistema, reduzindo o volume de dados que precisam ser informados manualmente.
Segundo o Ministério da Fazenda, o objetivo é simplificar o cumprimento das obrigações fiscais e eliminar etapas consideradas burocráticas. A avaliação do governo é que muitas das informações exigidas atualmente já são transmitidas à Receita por diferentes fontes, tornando desnecessário que o cidadão repita o envio desses mesmos dados.
Especialistas observam que a automatização poderá reduzir erros de preenchimento e tornar o processo mais ágil. Ao mesmo tempo, ressaltam que a conferência das informações continuará sendo essencial, já que eventuais inconsistências nos dados fornecidos por terceiros podem gerar problemas futuros para os contribuintes.
A transformação deve ocorrer de forma gradual. Nos próximos anos, a expectativa é ampliar a abrangência da declaração pré-preenchida até que a participação manual seja reduzida ao mínimo possível. Se o cronograma for mantido, a entrega da declaração como é conhecida atualmente poderá se tornar uma etapa do passado para milhões de brasileiros.
