Revista Poder

AGU quer atuar em ação nos EUA para defender Alexandre de Moraes

Órgão afirma que decisões do Supremo Tribunal Federal devem ser questionadas apenas no sistema judiciário brasileiro

Foto: Reprodução/Portal Gov.br

A Advocacia-Geral da União (AGU) anunciou que pretende solicitar participação formal em uma ação judicial que tramita nos Estados Unidos e tem como alvo o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. O objetivo, segundo o órgão, é defender os interesses do Estado brasileiro e reforçar o princípio da soberania nacional diante da discussão conduzida por um tribunal estrangeiro.

O caso corre na Justiça da Flórida e foi apresentado pelas plataformas Rumble e Trump Media. As empresas questionam decisões proferidas por Moraes relacionadas à suspensão de perfis em redes sociais e à remoção de conteúdos ligados a investigados por supostos ataques às instituições democráticas brasileiras.

Em nota, a AGU afirmou que a participação no processo permitirá ao governo brasileiro sustentar que decisões tomadas pelo STF não devem ser submetidas à revisão ou ao julgamento de tribunais de outros países. Para o órgão, eventuais contestações devem seguir os mecanismos previstos pela legislação nacional e ser apreciadas pelas instâncias competentes dentro do próprio Brasil.

A argumentação da AGU também destaca que agentes públicos brasileiros não podem ser acionados diretamente perante cortes estrangeiras em assuntos relacionados ao exercício de suas funções sem autorização do Estado brasileiro. A instituição defende que esse entendimento é fundamental para preservar a autonomia das instituições nacionais.

A disputa judicial ganhou novos capítulos após as plataformas alegarem que as determinações expedidas pelo ministro violariam garantias de liberdade de expressão previstas na legislação norte-americana. Entre os casos citados pelas empresas está o bloqueio de perfis de brasileiros residentes nos Estados Unidos investigados por disseminação de conteúdos considerados antidemocráticos.

No mês passado, a Justiça norte-americana autorizou que Moraes fosse comunicado da ação por e-mail. A decisão ocorreu depois que o Superior Tribunal de Justiça rejeitou um pedido para que a notificação fosse realizada por meio de carta rogatória, instrumento jurídico utilizado para comunicações oficiais entre países.

Com a iniciativa da AGU, o governo brasileiro passa a atuar diretamente na discussão judicial, transformando o caso em um debate mais amplo sobre jurisdição internacional, soberania estatal e os limites da atuação de tribunais estrangeiros sobre decisões proferidas por autoridades brasileiras.

Sair da versão mobile