Revista Poder

Governo anuncia plano para ampliar limite do MEI e permitir mais contratações

Ministro da Fazenda afirma que proposta será enviada ao Congresso, mas ainda não detalhou qual será o novo teto de faturamento para os microempreendedores

Dario Durigan afirmou que o governo enviará ao Congresso uma proposta para ampliar o teto de faturamento do MEI e permitir a contratação de mais um funcionário (Foto: Reprodução/Partido dos Trabalhadores)

O governo federal pretende encaminhar ao Congresso Nacional uma proposta para ampliar o limite de faturamento permitido aos microempreendedores individuais (MEI) e autorizar a contratação de um segundo funcionário. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (17) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante audiência pública na Câmara dos Deputados.

Sem informar qual será o novo teto de enquadramento, o ministro afirmou que a medida atende a uma demanda antiga da categoria e deverá ser construída em diálogo com parlamentares. Atualmente, o MEI pode faturar até R$ 81 mil por ano e manter apenas um empregado registrado.

A possibilidade de ampliar essas regras já é discutida no Legislativo. Um projeto aprovado pelo Senado propõe elevar o limite anual para R$ 130 mil, além de permitir a contratação de mais um trabalhador. A matéria, no entanto, enfrenta resistência da equipe econômica, que a classificou entre as chamadas pautas de maior impacto fiscal.

De acordo com estimativas do governo, a aprovação do texto nos moldes atuais poderia representar uma redução de aproximadamente R$ 50 bilhões por ano na arrecadação federal. O projeto integra um conjunto de propostas que, juntas, teriam potencial para provocar perdas superiores a R$ 100 bilhões aos cofres públicos.

Criado em 2006, o regime do Simples Nacional reúne tributos em uma única guia de pagamento e oferece condições diferenciadas para pequenos negócios. Além do MEI, o sistema contempla microempresas e empresas de pequeno porte, com limites de faturamento mais elevados.

Dados da Receita Federal apontam que os benefícios tributários vinculados ao Simples devem gerar uma renúncia fiscal de cerca de R$ 136 bilhões em 2026, tornando o programa um dos principais mecanismos de incentivo às pequenas empresas no país.

Especialistas e representantes do setor defendem a atualização dos limites de enquadramento como forma de acompanhar a inflação acumulada nos últimos anos e estimular a formalização de empreendedores. Já integrantes da área econômica alertam para a necessidade de equilibrar eventuais mudanças com a sustentabilidade das contas públicas.

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