O governo federal estima que mais de 25 milhões de brasileiros utilizem plataformas de apostas esportivas e jogos online que operam de forma irregular no país. O dado foi apresentado nesta sexta-feira (19) pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, durante o anúncio de novas medidas voltadas ao enfrentamento das bets ilegais.
Entre as ações previstas está o bloqueio de valores vinculados a empresas que atuam sem autorização, com posterior destinação dos recursos ao Fundo Nacional de Segurança Pública, desde que sejam observados os procedimentos judiciais cabíveis. A iniciativa integra uma estratégia para ampliar o combate a práticas ilícitas associadas ao mercado clandestino de apostas.
Segundo o Ministério da Justiça, as plataformas não autorizadas representam uma parcela significativa do setor, correspondendo a um volume estimado entre 41% e 51% das operações realizadas por empresas legalizadas. O governo informou ainda que mais de 40 mil sites já foram retirados do ar em ações conduzidas com apoio de órgãos reguladores e de fiscalização.
As autoridades avaliam que o segmento das apostas ilegais passou a despertar interesse de grupos ligados ao crime organizado, sobretudo pelo potencial de movimentação financeira e pelas dificuldades de rastreamento de recursos. A preocupação levou o Executivo a intensificar medidas de monitoramento e repressão às atividades consideradas irregulares.
O Ministério da Fazenda informou que centenas de pessoas físicas estariam ligadas à administração de milhares de aplicativos e páginas de apostas já bloqueados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a pedido da Secretaria de Prêmios e Apostas. Parte dessas operações utilizaria instituições de pagamento e empresas de tecnologia financeira para viabilizar as transações.
Na quinta-feira (18), uma ofensiva conjunta batizada de Operação Conto da Sorte cumpriu mandados de busca e apreensão em Pernambuco, Ceará e São Paulo. A investigação busca esclarecer a movimentação de valores bilionários por meio de plataformas suspeitas de atuar sem autorização federal.
As apurações tiveram início após análises técnicas relacionadas ao funcionamento da Lotseridó, autarquia criada pelo município de Bodó, no Rio Grande do Norte. De acordo com os órgãos responsáveis, empresas credenciadas pela entidade continuaram operando mesmo após o encerramento de suas atividades, levantando suspeitas sobre a regularidade das operações.
As autoridades afirmam que a dimensão financeira do esquema ainda está sendo calculada e dependerá da análise de documentos, equipamentos apreendidos e informações obtidas por meio das medidas judiciais autorizadas.
