Defesa Civil centraliza envio de alertas após suspeita de ataque hacker

Disparo irregular de notificações levou o governo a transferir temporariamente a emissão de alertas para Brasília

Foto: Reprodução/G1

O governo federal decidiu limitar temporariamente o acesso dos estados ao sistema Defesa Civil Alerta após a ocorrência de um incidente de segurança que provocou o envio indevido de mensagens para celulares em diferentes regiões do país. A medida foi adotada enquanto equipes técnicas realizam análises para garantir a integridade da plataforma.

Com a mudança, o disparo de avisos relacionados a fenômenos meteorológicos extremos ficará centralizado no Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres, sediado em Brasília. As Defesas Civis estaduais deverão encaminhar pedidos ao órgão federal sempre que identificarem situações que justifiquem a emissão de alertas à população.

Segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, a ferramenta permanece em funcionamento, mas opera em caráter restrito até a conclusão das verificações técnicas. Não há previsão para a retomada completa do acesso pelos estados.

A decisão foi tomada após o sistema emitir notificações sonoras fora do padrão habitual entre a noite de sexta-feira e a madrugada de sábado. As mensagens continham o termo “misantropi4” e acionaram o nível máximo de alerta, destinado a situações de risco iminente à vida e ao patrimônio.

De acordo com a pasta, o comportamento registrado não corresponde aos protocolos oficiais utilizados para o envio de avisos de emergência, o que levantou a suspeita de uma invasão ao sistema. Como resposta imediata, foram suspensas contas de usuários associadas ao incidente e bloqueados acessos externos à plataforma de divulgação de alertas públicos.

A Polícia Federal iniciou uma apuração preliminar para identificar a origem da possível ação criminosa, bem como a forma utilizada para acessar o sistema. As autoridades ainda não confirmaram se o episódio foi provocado por uma única pessoa ou por um grupo organizado.

A Defesa Civil Nacional destaca que o sistema possui dois níveis de comunicação com a população. O alerta severo é utilizado em situações que exigem medidas preventivas, como temporais com potencial para alagamentos e deslizamentos. Já o alerta extremo é reservado para cenários de risco elevado, emitindo sinal sonoro mesmo em aparelhos configurados no modo silencioso e exigindo a interação do usuário para encerrar a notificação.

Enquanto as investigações avançam, o governo afirma que manterá o modelo centralizado de operação para evitar novos incidentes e assegurar a confiabilidade das mensagens enviadas à população.