Revista Poder

Jaques Wagner avalia deixar liderança do governo após operação da PF

Senador afirma que concentrará esforços em sua defesa e nega qualquer participação em irregularidades investigadas pela Polícia Federal

Foto: Reprodução/Senado Federal

O senador Jaques Wagner (PT-BA) caminha para deixar a liderança do governo no Senado em meio aos desdobramentos da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A expectativa é que a decisão seja comunicada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda nesta semana, durante uma reunião reservada entre os dois.

De acordo com interlocutores próximos ao parlamentar, a avaliação predominante passou a ser de que sua permanência na função poderia ampliar os desgastes políticos provocados pela investigação e gerar reflexos na estratégia do governo federal para os próximos meses. Após resistir inicialmente à possibilidade de afastamento, Wagner teria sido convencido por aliados de que a renúncia ao cargo seria a alternativa mais adequada neste momento.

Nos bastidores, a tendência é que o senador informe ao presidente que pretende direcionar suas atenções à defesa diante das suspeitas levantadas no inquérito que apura possíveis irregularidades envolvendo pessoas e empresas ligadas ao antigo Banco Master.

O Palácio do Planalto acompanha o caso desde a deflagração da operação, realizada na última semana. Integrantes do governo afirmam que Lula foi atualizado sobre a disposição de Wagner em deixar a liderança e recebeu a informação após conversas mantidas pelo senador com dirigentes petistas da Bahia.

A investigação da Polícia Federal apura indícios de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e eventual recebimento de vantagens indevidas. Entre os elementos analisados estão recursos apreendidos em espécie e informações relacionadas a um imóvel de alto padrão em Salvador.

Jaques Wagner nega qualquer irregularidade. O senador sustenta que o apartamento mencionado nunca integrou seu patrimônio e afirma que os valores encontrados têm origem em recursos obtidos de forma legal durante missões oficiais realizadas no exterior. Ele também declarou que pretende colaborar com as autoridades responsáveis pelo caso.

Caso a saída seja confirmada, o governo deverá iniciar discussões internas para definir o nome que assumirá a articulação política da gestão federal no Senado, considerada estratégica para a tramitação de projetos prioritários do Executivo.

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