Depois de atravessar um período desafiador no varejo, a Polishop voltou a falar em expansão e mira uma nova fase de crescimento apoiada em marcas próprias, inovação e inteligência artificial. À frente da companhia, João Appolinário defende que o futuro do setor passa por produtos com benefícios reais, maior agilidade na relação com o consumidor e soluções capazes de antecipar necessidades do dia a dia.
Nesta entrevista à Revista Poder, o empresário fala sobre os próximos passos da Polishop, o papel da inteligência artificial na experiência de compra, a importância de construir um portfólio proprietário e as tendências que devem moldar o varejo brasileiro nos próximos anos.
Depois de um período desafiador para o varejo, a Polishop voltou a anunciar expansão. O que você está enxergando hoje que muitos concorrentes ainda não perceberam?
Vejo a necessidade cada vez maior de investir em marcas próprias e em produtos inovadores que atendam de verdade às necessidades das pessoas no dia a dia.
A Polishop construiu sua história apostando em produtos inovadores antes de eles se tornarem tendência. Como identificar oportunidades antes do restante do mercado? E qual será a próxima grande transformação da marca?
Nós sempre olhamos para aquilo que o cliente precisa para viver melhor — novas ideias para facilitar a vida no dia a dia. Cada vez mais, o consumidor quer praticidade, rapidez e agilidade no que faz e no que precisa resolver: em casa, na beleza, na alimentação. É isso que nos guia: produtos que tragam benefícios ligados à saúde, à beleza e que ajudem a ganhar mais tempo.
A grande transformação da marca já começou: como estamos utilizando I.A nos processos do dia a dia, internamente; como ela já está dentro de nossos produtos; e como iremos levar o que estamos aprendendo para terceiros.
Como a inteligência artificial vai transformar a experiência de consumo dentro da Polishop?
Nós já usamos IA em vários produtos. Em nossa linha Gourmet, temos a inteligência artificial A.I Chef, que conversa com nossos clientes, tira dúvidas sobre o produto, sugere receitas de acordo com a necessidade no momento ou identifica os ingredientes disponíveis se receber uma foto do que tem na geladeira, por exemplo.
Ela responde em qualquer momento, por áudio ou texto, no WhatsApp, “lugar” em que todo brasileiro está hoje em dia. E é assim que eu enxergo o papel da I.A: para trazer informação de forma rápida, precisa e que facilite a nossa vida. E esse é apenas o começo do longo plano que traçamos por aqui.
Existe alguma tecnologia ou mudança de comportamento do consumidor que você considera inevitável e para a qual as empresas deveriam se preparar desde já?
O consumidor está cada vez mais digital e quer as coisas mais rápidas, com precisão e qualidade. É nisso que investimos: na qualidade dos nossos produtos, na precisão da entrega do benefício e em trazer inovação que atenda às necessidades reais, não inovação pelo simples fato de ser inovação.
Acredito que esse movimento irá avançar ainda mais rápido com o advento da inteligência artificial, tecnologia que toda empresa deve investir para entregar a agilidade que o consumidor espera hoje em dia e, no futuro, ainda mais.
O que significa sair na frente num cenário em que inovar já é uma exigência permanente?
É mostrar ao consumidor benefícios que ele ainda não encontrou em nenhum outro produto. Não é apenas atender uma demanda. É, em muitos momentos, até mesmo criar uma solução para um problema que o cliente ainda não havia identificado ou que não esperava se tornar tão importante.
Se você tivesse que apostar em apenas uma grande tendência para o futuro do varejo brasileiro, qual seria?
Ter marcas próprias. Porque só assim o varejista consegue deixar de competir por preço e pode conquistar um lugar de destaque com produtos que carregam o seu DNA, tanto em qualidade quanto em benefícios e entrega.
Essa é a nossa estratégia na Polishop: além de sermos omnichannel e estarmos em todos os canais de venda e comunicação em que nosso cliente está, construímos um portfólio inovador e, em 2025, 72% de nossos produtos foram de marca própria. A expectativa é chegarmos a 90% até 2030.