Revista Poder

Crédito privado assume o protagonismo e redesenha o financiamento das empresas brasileiras

“Excellence in execution”: lema estampado na sede da ID CTVM.

FIDCs, Notas Comerciais e debêntures ganham espaço nas carteiras dos investidores e nas estratégias de captação das companhias. Para a ID CTVM, o movimento é um retrato do amadurecimento do mercado de capitais — e do fim da dependência exclusiva do crédito bancário.

Por décadas, financiar uma empresa no Brasil significava, quase sempre, bater à porta de um banco. Esse cenário mudou. Impulsionado por juros elevados, maior seletividade dos investidores e pela modernização regulatória, o crédito privado deixou de ser uma alternativa complementar para assumir um papel central na forma como as companhias captam recursos e como os investidores montam suas carteiras.

Ativos como debêntures, CRIs, CRAs, Notas Comerciais e Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) vêm registrando forte demanda e abrindo um novo ciclo para o segmento. E, à medida que essas operações se multiplicam e ganham complexidade, cresce também a importância das instituições que sustentam sua estruturação — território em que a ID CTVM se consolidou.

“O mercado amadureceu dos dois lados. As empresas entenderam que existem alternativas além do crédito bancário, enquanto os investidores passaram a enxergar o crédito privado como uma classe estratégica dentro do portfólio, e não apenas como uma oportunidade pontual de retorno”, afirma Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM.

Por que os FIDCs deixaram de ser um produto de nicho

Poucos instrumentos traduzem tão bem essa transformação quanto os FIDCs. Se antes eram usados basicamente para antecipação de recebíveis, hoje fazem parte da estratégia de capital de empresas de diferentes portes e setores — do agronegócio à saúde, da educação à tecnologia, passando por infraestrutura, logística e energia.

Acompanhamento de fundos FIDC no ecossistema digital da ID CTVM.

Os números acompanham essa maturidade. Em 2025, os FIDCs registraram captação líquida de R$ 57,6 bilhões, ficando atrás apenas dos fundos de renda fixa e dos FIPs entre as categorias que mais atraíram recursos. O avanço foi reforçado pela modernização regulatória: a Resolução CVM 175 criou um marco mais moderno para a estruturação desses veículos e, em 2026, a própria CVM promoveu ajustes adicionais para remover entraves e ampliar o acesso das empresas ao instrumento.

“Os FIDCs conectam empresas que possuem ativos de qualidade a investidores interessados em financiar a economia real, criando uma dinâmica muito mais eficiente de alocação de capital”, avalia Saudir Filimberti, diretor da ID CTVM.

Notas Comerciais: agilidade vira diferencial competitivo

Outro instrumento em ascensão são as Notas Comerciais. Modernizadas pela Lei nº 14.195, de 2021, passaram a ser emitidas exclusivamente em formato eletrônico e a admitir emissores de perfis mais variados, incluindo sociedades limitadas — o que ampliou de forma significativa o universo de empresas aptas a acessar o mercado de capitais.

O resultado aparece nos dados: segundo a ANBIMA, as emissões de Notas Comerciais alcançaram R$ 9 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 31,2% na comparação anual, enquanto o número de operações cresceu 58,8%. Menos burocracia e maior rapidez tornaram o instrumento atraente para financiar capital de giro, expansão e reorganização financeira.

Foi acompanhando esse movimento que a ID CTVM estruturou uma solução dedicada às Notas Comerciais, integrada ao seu ecossistema de serviços, que concentra o lançamento, o gerenciamento e o acompanhamento das emissões em um único ambiente digital.

“Não existe um instrumento melhor que o outro. O que existe é uma necessidade cada vez maior de estruturar operações compatíveis com o perfil, o prazo e os objetivos de cada empresa. As Notas Comerciais ampliaram esse leque de possibilidades e tornaram o mercado mais eficiente”, explica Filimberti.

Da busca por rentabilidade à construção de portfólios

O ambiente de juros elevados ajudou a despertar o interesse pelo crédito privado, mas especialistas avaliam que o momento vai além da conjuntura. A maior diversidade de emissores, estruturas e perfis de risco permitiu que investidores construíssem carteiras mais sofisticadas, e instrumentos antes restritos a grandes institucionais passaram a alcançar diferentes perfis de alocadores.

Com o mercado mais maduro, muda também o foco. Se antes a atenção estava no volume das emissões, agora se volta para a qualidade dos créditos, a governança das operações e a capacidade de pagamento dos emissores.

“O crédito privado continuará crescendo, mas o diferencial estará cada vez mais na qualidade das estruturas e na capacidade de conectar bons ativos a investidores com objetivos de longo prazo. Esse amadurecimento fortalece todo o mercado de capitais e amplia sua contribuição para o financiamento da economia brasileira”, projeta Balassiano.

A infraestrutura que sustenta o novo ciclo

Por trás de cada emissão existe uma cadeia técnica pouco visível ao investidor final: administração fiduciária, custódia, escrituração, controle de ativos, processamento de eventos e atendimento às exigências regulatórias. É essa estrutura que garante que FIDCs, debêntures e Notas Comerciais sejam emitidos, administrados e acompanhados com segurança ao longo de toda a sua vigência.

Inserida nesse cenário, a ID CTVM incorporou os novos instrumentos de crédito ao seu portfólio, que já reúne administração fiduciária, custódia, controladoria, escrituração, distribuição e soluções financeiras para fundos de investimento. A estratégia é acompanhar a evolução do mercado oferecendo às empresas alternativas compatíveis com um ambiente cada vez mais digital, flexível e conectado.

“À medida que o mercado de capitais cresce, sua infraestrutura deixa de ser apenas um suporte operacional e passa a ser um elemento estratégico. É essa base que permite que o mercado cresça de forma segura e sustentável”, conclui Lidiane dos Santos, diretora da ID CTVM.

Para a companhia, o avanço do crédito privado representa mais do que uma oportunidade de negócio: é o reflexo de um mercado de capitais que assume, definitivamente, um papel central no financiamento da economia brasileira.

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