Revista Poder

Moraes cobra novo parecer da PGR sobre arma de Jair Bolsonaro

Ministro do STF concedeu prazo de 48 horas para manifestação após conclusão do inquérito da Polícia Civil, que não indiciou o ex-presidente

Foto: Reprodução/Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) volte a analisar o caso envolvendo a arma de fogo registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão foi tomada após a conclusão do inquérito conduzido pela Polícia Civil do Distrito Federal, que não apontou indícios para o indiciamento do ex-chefe do Executivo.

No despacho, Moraes estabeleceu o prazo de 48 horas para que a PGR e a defesa de Bolsonaro apresentem novas manifestações sobre a apreensão de uma pistola calibre 9 milímetros e de um carregador encontrados com um segurança do ex-presidente.

A investigação foi aberta para apurar se Bolsonaro teria descumprido alguma determinação judicial ao manter a arma em sua residência, em Brasília, onde cumpre prisão domiciliar humanitária. Segundo o relatório final da Polícia Civil, não houve irregularidade na posse da arma, que estava regularmente registrada.

O documento, entretanto, recomenda o indiciamento do segundo-sargento do Exército Estácio Leite da Silva Filho, responsável por transportar a pistola no momento em que foi abordado durante uma blitz realizada em Taguatinga, no Distrito Federal.

Antes da conclusão da investigação, Moraes já havia solicitado um posicionamento da Procuradoria-Geral da República. Na ocasião, o procurador-geral Paulo Gonet afirmou que ainda não havia elementos suficientes para caracterizar eventual descumprimento das condições impostas ao ex-presidente e defendeu que a manifestação definitiva fosse apresentada somente após o encerramento das apurações policiais.

O caso teve início depois que policiais militares localizaram a arma e um carregador sobressalente durante uma fiscalização de rotina. Em depoimento, o militar informou que levava a pistola para manutenção após o equipamento apresentar defeito e que faria a devolução ao imóvel de Bolsonaro no dia seguinte.

A defesa do ex-presidente confirmou posteriormente que a arma pertence a Bolsonaro e sustentou que ela permanece devidamente registrada. Os advogados também argumentaram que não existe decisão judicial determinando a apreensão do armamento ou o cancelamento de seu registro, razão pela qual a pistola poderia permanecer na residência onde o ex-presidente cumpre a medida cautelar.

Com a conclusão do inquérito policial, caberá agora à Procuradoria-Geral da República reavaliar os fatos e encaminhar ao Supremo seu entendimento sobre a existência, ou não, de eventual irregularidade no episódio.

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