Revista Poder

Guillermo Formigoni assume Rappi no Brasil em nova fase da disputa por conveniência

Executivo passa a liderar a operação brasileira em um momento de maior concorrência no delivery e expansão para além dos restaurantes

Foto Reprodução Internet

O mercado de delivery no Brasil já não cabe mais na imagem de um aplicativo usado apenas para pedir comida. A disputa agora envolve supermercado, logística rápida, meios de pagamento, tecnologia, dados e a tentativa de ocupar cada vez mais momentos da rotina do consumidor.

É nesse ambiente que a Rappi inicia uma nova fase no país. A companhia anunciou Guillermo Formigoni como novo general manager da operação brasileira, em substituição a Felipe Criniti, que esteve à frente do cargo nos últimos três anos.

Formigoni assume a liderança depois de comandar áreas consideradas centrais para a expansão da empresa, como Growth, Operações e Turbo, serviço de entregas ultrarrápidas da plataforma. Ele passa a responder a Ajay Mittal, Chief Operating Officer global da Rappi.

Criniti seguirá na companhia até o fim de 2026. Nesse período, ficará à frente da Rappi Cargo, unidade B2B de logística voltada a comerciantes e clientes corporativos, além de apoiar a transição da operação brasileira.

Uma troca de comando em um mercado mais agressivo

A mudança acontece em um momento de reorganização no setor. Por anos, a Rappi ocupou o espaço de principal desafiante do iFood no Brasil. No entanto, o tabuleiro mudou.

A volta da 99Food e a chegada da Keeta, marca do grupo chinês Meituan, aumentaram a pressão competitiva em um mercado já concentrado. A nova fase do delivery combina investimentos bilionários, disputa por restaurantes, briga por entregadores e questionamentos regulatórios.

Além disso, a competição deixou de acontecer apenas na tela do consumidor. Parte da disputa também se deslocou para o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, com discussões sobre contratos de exclusividade e práticas comerciais entre plataformas.

Nesse cenário, a Rappi tenta se posicionar não apenas como aplicativo de entrega, mas como uma plataforma de conveniência. A missão de Formigoni será transformar essa estratégia em escala.

Do restaurante ao ecossistema

Nos últimos dez meses, a Rappi registrou crescimento de 40% na modalidade Turbo, segundo a companhia. A empresa também ampliou seu sortimento, lançou a vertical Ready to Eat e avançou em parcerias com varejistas, empresas de tecnologia e instituições financeiras.

Entre os acordos recentes estão nomes como Lojas Americanas, Cencosud, OpenAI, Amazon e PicPay. Esses movimentos mostram que a corrida do delivery passou a envolver diferentes setores, do varejo à inteligência artificial.

A integração com o PicPay, por exemplo, levou o serviço da Rappi para dentro de uma plataforma financeira. Já a aproximação com a Amazon reforçou a leitura de que logística, consumo e tecnologia caminham cada vez mais juntos.

A própria Rappi descreve a nova etapa como a passagem de um momento de validação do modelo para uma fase de expansão daquilo que já foi construído. Em outras palavras, o desafio agora é ganhar escala sem perder eficiência.

A nova guerra do delivery

A movimentação da Rappi ocorre depois de uma sequência de anúncios relevantes no setor. Enquanto rivais chinesas prometeram investimentos bilionários, o iFood também reforçou seus aportes para proteger sua liderança no mercado brasileiro.

A Rappi, por sua vez, anunciou R$ 1,4 bilhão em investimentos até 2028. A estratégia inclui ampliar sua presença no país e apostar em tarifa zero para restaurantes parceiros, em uma tentativa de fortalecer o relacionamento com a base comercial.

A entrada da Amazon no negócio também acrescentou uma camada estratégica à operação. O investimento inicial, de US$ 25 milhões em nota conversível, pode chegar a uma participação de até 12% no capital da companhia, caso determinadas metas sejam atingidas.

Com isso, a troca de liderança no Brasil vai além de uma mudança executiva. Ela sinaliza uma tentativa de preparar a Rappi para uma fase em que vencer no delivery significa controlar mais pontos da jornada de consumo.

No centro dessa disputa está uma pergunta que todas as plataformas tentam responder: quem conseguirá ser mais presente, mais rápido e mais relevante no dia a dia do consumidor brasileiro?

 

Fonte: Bloomberg Línea

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