Revista Poder

Brasil e EUA retomam negociação decisiva sobre tarifaço

Governo brasileiro mantém diálogo com autoridades norte-americanas e avalia que as próximas conversas poderão ser decisivas para o futuro das medidas tarifárias

Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Brasil e Estados Unidos devem realizar, até a próxima semana, uma nova rodada de negociações sobre a possível adoção de tarifas adicionais contra produtos brasileiros. A expectativa do governo é que o encontro represente uma etapa decisiva nas tratativas conduzidas entre os dois países para tentar evitar a aplicação das medidas comerciais.

As conversas serão lideradas pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, em diálogo com representantes do Departamento de Comércio dos Estados Unidos. O objetivo é apresentar novos argumentos técnicos e buscar um entendimento antes da conclusão da investigação comercial conduzida pelo governo norte-americano.

Nos bastidores, integrantes do Palácio do Planalto avaliam de forma positiva as audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Embora considerem que os debates tenham contribuído para esclarecer aspectos da relação comercial entre os países, interlocutores do governo afirmam que ainda é cedo para medir o impacto das discussões sobre a decisão final das autoridades americanas.

Os relatos dos representantes brasileiros que acompanharam as sessões como observadores deverão servir de base para a estratégia da próxima fase das negociações. Ainda assim, a avaliação interna é de que o cenário permanece incerto e exige cautela.

O governo também acompanha os desdobramentos políticos provocados pela participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas audiências realizadas em Washington. Na avaliação de integrantes da equipe diplomática, a presença do parlamentar pode influenciar o ambiente político das negociações, embora não seja considerada o único fator capaz de definir a posição dos Estados Unidos.

Segundo integrantes do Executivo, existem duas frentes distintas em andamento. Enquanto o USTR conduz uma análise técnica sobre os impactos econômicos e comerciais das tarifas, o Departamento de Estado norte-americano pode exercer influência política sobre a decisão que será tomada pela Casa Branca.

Na terça-feira, o Palácio do Planalto divulgou uma nota oficial criticando a atuação de Flávio Bolsonaro durante a audiência pública. No comunicado, o governo afirma que o senador não contestou as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para a adoção das tarifas e classificou sua participação como uma iniciativa com objetivo eleitoral. O texto também reforça que as negociações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos seguem em andamento desde o início das discussões e continuam sendo conduzidas pelos canais oficiais.

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