O agravamento das tensões no Oriente Médio voltou a dominar os mercados financeiros nesta segunda-feira, 13 de julho. No Brasil, o aumento da aversão ao risco derrubou a bolsa e fortaleceu o dólar. No exterior, o petróleo registrou uma das maiores altas dos últimos anos diante do temor de interrupções no Estreito de Ormuz.
O Ibovespa encerrou o pregão aos 175.739 pontos, com queda de 1,2%. Já o dólar comercial avançou 0,46% e terminou cotado a R$ 5,131. O barril do petróleo Brent, referência internacional, subiu 9,59%, para US$ 83,30, enquanto o WTI ganhou 9,42%, a US$ 78,14. A alta do Brent foi a maior em um único dia desde 2020.
Petróleo concentra as atenções
A disparada da commodity ocorreu após novos confrontos entre Estados Unidos e Irã e o aumento das incertezas sobre a circulação de embarcações pelo Estreito de Ormuz. A passagem é uma das rotas mais importantes para o comércio mundial de energia e concentra parte relevante das exportações de petróleo do Oriente Médio.
O tráfego marítimo pelo local caiu para o menor nível em cerca de dois meses, enquanto ataques e ameaças elevaram os riscos para navios comerciais. Apesar de o governo norte-americano afirmar que o estreito continuava aberto, a redução da circulação reforçou as dúvidas sobre a segurança do abastecimento.
O mercado também reagiu à proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de cobrar uma tarifa de 20% sobre as cargas que atravessarem a região sob proteção norte-americana. A viabilidade jurídica e operacional da medida ainda é incerta, mas o anúncio contribuiu para elevar o preço do petróleo e os custos projetados para o transporte de mercadorias.
Petrobras reduz parte das perdas da bolsa
Na B3, o avanço do petróleo beneficiou as ações de empresas ligadas ao setor. Os papéis ordinários da Petrobras subiram 3,44%, enquanto os preferenciais avançaram 2,55%.
O desempenho da estatal, porém, não foi suficiente para impedir a queda do Ibovespa. Bancos, mineradoras e companhias associadas ao consumo recuaram ao longo do dia, acompanhando o movimento negativo dos mercados internacionais.
O aumento do petróleo desperta preocupação porque pode pressionar os preços de combustíveis, transportes e produtos industriais. Com isso, investidores passaram a considerar a possibilidade de que bancos centrais mantenham os juros elevados por mais tempo para conter uma nova onda de inflação.
Nos Estados Unidos, o S&P 500 recuou 0,8%, enquanto o Nasdaq perdeu 1,6%. As taxas dos títulos públicos também subiram, refletindo o receio de que o choque no mercado de energia dificulte o processo de redução dos juros.
Dólar volta a ganhar força
A moeda norte-americana acompanhou o fortalecimento global diante da busca dos investidores por ativos considerados mais seguros. No Brasil, o dólar chegou a R$ 5,142 na máxima do dia antes de encerrar a sessão em R$ 5,131.
O cenário externo se sobrepôs ao efeito do diferencial de juros brasileiro, que vinha ajudando a sustentar o real nos últimos meses. A atual taxa Selic está em 14,25% ao ano, patamar elevado em comparação com outras grandes economias. Ainda assim, a perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos e de uma futura redução no Brasil diminuiu parte desse apoio à moeda brasileira.
No ambiente doméstico, o mercado também acompanhou o novo Boletim Focus. Os analistas mantiveram a projeção de R$ 5,20 para o dólar no fim de 2026 e a expectativa de que a Selic termine o ano em 14% ao ano. A estimativa para a inflação oficial caiu de 5,30% para 5,16%.
Mercados seguem atentos ao Estreito de Ormuz
A evolução do conflito deve continuar orientando os negócios nos próximos dias. Uma interrupção prolongada na rota marítima poderia limitar a oferta de petróleo, elevar os custos de transporte e ampliar as pressões inflacionárias em diferentes países.
Apesar do salto desta segunda-feira, o barril ainda permanece abaixo dos níveis próximos a US$ 120 registrados nos momentos mais intensos do conflito ao longo do ano. Mesmo assim, o avanço para mais de US$ 83 serviu como um alerta de que os preços podem reagir rapidamente a qualquer ameaça ao fluxo de embarcações.
Com o cenário ainda instável, bolsa, câmbio e petróleo devem permanecer sujeitos a fortes oscilações. Novos ataques, declarações dos governos envolvidos ou mudanças na circulação pelo Estreito de Ormuz podem ampliar a volatilidade e alterar as expectativas para inflação e juros no mundo.
Fonte: Agencia Brasil/ Reuters
