Revista Poder

Vanessa Macorin conduz a expansão do Museu da Imaginação em São Paulo

À frente da instituição, executiva combina inovação, gestão e impacto cultural em uma nova fase que também mira o público adolescente

Foto Divulgação

Quando o Museu da Imaginação inaugurou sua nova sede na Água Branca, em São Paulo, em 2024, a mudança representou mais do que a conquista de um espaço maior. Com mais de 7 mil metros quadrados e capacidade para receber três vezes mais visitantes, a instituição entrava em uma nova fase de sua história, marcada pela expansão, pela profissionalização da gestão e pela busca por experiências capazes de aproximar cultura, educação e entretenimento.

À frente desse movimento está Vanessa Macorin, diretora executiva do museu desde 2020. Sua atuação ajudou a transformar o crescimento de público em um projeto institucional mais amplo, que envolve novas exposições, tecnologia, acessibilidade, parcerias e iniciativas voltadas a diferentes gerações.

Vanessa chegou ao Museu da Imaginação em 2018, inicialmente como gerente. Naquele momento, a instituição ainda ocupava sua antiga sede, mas já registrava um aumento constante na procura de famílias e escolas. Com o passar do tempo, o espaço físico começou a limitar o potencial do projeto.

A expansão ganhou força em 2021, quando dois empresários adquiriram o museu e ampliaram sua estrutura financeira. Consolidada como uma associação sem fins lucrativos, a instituição passou a reinvestir sua receita em novas experiências, inovação, inclusão e impacto social.

Entre 2022 e 2023, Vanessa liderou o plano que preparou a mudança para a nova sede. O projeto precisava ampliar a operação sem perder a essência que sempre guiou o museu: fazer com que as crianças participem ativamente das experiências, em vez de apenas observá-las.

“A inauguração da nova sede representa muito mais do que uma expansão física. Ela simboliza a concretização de uma visão ousada de crescimento sustentável, impacto educacional e transformação cultural”, afirma.

Uma gestão construída em diferentes áreas

Embora hoje esteja ligada ao universo da cultura e da infância, Vanessa construiu sua carreira em caminhos bastante diversos. Formada e pós-graduada em Ciência da Computação, trabalhou por mais de uma década com tecnologia e liderou projetos de educação a distância nos setores educacional e de aviação.

Mais tarde, decidiu empreender e tornou-se proprietária de lojas infantis. A experiência trouxe o contato direto com os desafios de administrar uma empresa, formar equipes, cuidar da operação e tomar decisões sob pressão.

Em vez de enxergar os diferentes momentos da carreira como trajetórias desconectadas, ela levou esses aprendizados para o museu. A tecnologia contribuiu para uma visão orientada por inovação e processos. Já o empreendedorismo trouxe experiência prática de gestão, liderança e adaptação.

“Sempre digo que não me arrependo dessa jornada no empreendedorismo, porque foi justamente ali que desenvolvi uma parcela essencial da minha capacidade de gestão, resiliência e liderança”, conta.

No Museu da Imaginação, essa combinação aparece tanto na operação quanto na criação das experiências. As exposições são desenvolvidas com curadoria interna e precisam equilibrar encantamento, conteúdo e intenção pedagógica.

O espaço real em uma infância cada vez mais digital

Para Vanessa, a importância de um museu infantil se torna ainda maior diante de uma rotina dominada por telas. Ao permitir que a criança toque, experimente, erre, brinque e interaja com outras pessoas, o espaço cultural oferece algo que a tecnologia, sozinha, não consegue reproduzir.

“Em um mundo cada vez mais digital, acelerado e conectado às telas, os museus se tornam espaços essenciais para despertar aquilo que nenhuma tecnologia consegue substituir: a experiência real, o olhar curioso, a interação humana e a descoberta através do sentir”, diz.

Isso não significa, porém, rejeitar o universo digital. A executiva defende que a tecnologia pode ampliar a criatividade e estimular o pensamento crítico, desde que exista propósito em sua utilização.

A ideia é fazer com que os recursos tecnológicos participem da experiência sem substituir a curiosidade, o contato humano e a descoberta concreta. Dessa forma, inovação e interação física deixam de ocupar lados opostos.

O próximo público do museu

Depois de ampliar sua atuação entre crianças, famílias e escolas, o Museu da Imaginação começa a olhar para outra faixa etária. A instituição prepara experiências voltadas aos adolescentes, público que frequentemente encontra poucas opções culturais pensadas para seus interesses e sua linguagem.

O novo projeto será desenvolvido dentro do universo dos SCAPES e deve reunir experiências imersivas inéditas. A proposta é prolongar a relação com os visitantes, acompanhando também outras etapas da formação.

Ao mesmo tempo, Vanessa trabalha para ampliar projetos de acessibilidade e inclusão, além de fortalecer parcerias institucionais e iniciativas incentivadas. A ambição é posicionar o museu entre as principais referências em experiências educativas imersivas da América Latina.

“Acredito que o nosso diferencial está em não apenas pensarmos em como criar um museu melhor. Em primeiro lugar, pensamos em como criar experiências que as famílias nunca esqueçam”, comenta.

Com uma liderança discreta e orientada por resultados, Vanessa Macorin participa de um movimento que vai além da ampliação física do Museu da Imaginação. Trata-se de fazer a instituição crescer sem perder o envolvimento, a curiosidade e o encantamento que sustentam sua proposta desde o início.

“A infância deve ser profundamente tocada pela cultura. Porque, quando uma criança se encanta, descobre, cria e se sente pertencente, nasce ali um ser humano mais sensível, mais confiante e mais preparado para transformar o mundo”, conclui.

Sair da versão mobile