O governo de Donald Trump incluiu o desmatamento ilegal entre as justificativas para aplicar uma tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros. A medida foi anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, no dia 15 de julho.
Segundo o órgão, a decisão ocorreu após uma investigação iniciada em julho de 2025. O processo analisou práticas brasileiras em áreas como comércio digital, meios de pagamento, propriedade intelectual, combate à corrupção, mercado de etanol e proteção ambiental.
Na avaliação do USTR, o Brasil possui leis para enfrentar o desmatamento ilegal, mas não fiscaliza esse conjunto de normas de forma eficaz. O órgão também afirma que a exploração de terras desmatadas ilegalmente criaria vantagens para produtores brasileiros diante dos concorrentes norte-americanos.
Pesquisador contesta justificativa ambiental
O secretário executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, considera que o argumento ambiental funciona como justificativa para uma decisão de caráter comercial e político.
“O governo Trump está usando a questão ambiental para impor barreiras comerciais que servem apenas como uma desculpa”, afirmou Astrini à Agência Brasil.
Para o pesquisador, a posição dos Estados Unidos também contrasta com as políticas ambientais adotadas pelo próprio governo norte-americano. Além disso, ele questiona por que o desmatamento não aparece como justificativa para medidas semelhantes contra outros países.
“É uma medida puramente política, não tem nada a ver com a questão ambiental. É apenas uma desculpa para impor uma barreira tarifária ao país”, declarou.
Desmatamento caiu em 2025
Os dados mais recentes do MapBiomas mostram que o desmatamento recuou no Brasil em 2025. A área de vegetação nativa perdida somou 984.794 hectares, uma queda de 20,6% na comparação com 2024.
Pela primeira vez desde o início da série histórica do MapBiomas Alerta, em 2019, o total anual ficou abaixo de 1 milhão de hectares. Todos os biomas registraram redução, embora a perda de vegetação continue elevada em diferentes regiões do país.
A Amazônia e o Cerrado concentraram mais de 84% de toda a área desmatada no período. O Cerrado liderou o levantamento, com 540.614 hectares perdidos. Ainda assim, o número representa uma queda de 16,9% em relação ao ano anterior.
Na Amazônia, o desmatamento atingiu 289.478 hectares, recuo de 23,5%. Já o Pantanal apresentou a maior redução proporcional entre os biomas, com queda de 48,4%.
Agropecuária concentra perda de vegetação
De acordo com o levantamento, a expansão agropecuária esteve associada a 99% da perda de vegetação nativa registrada no país em 2025. O estudo também identificou pressões relacionadas ao garimpo, à expansão urbana e à implantação de projetos de energia renovável.
Nos casos ligados ao garimpo, 99% da área desmatada estava na Amazônia, principalmente no Pará. Por outro lado, os empreendimentos de energia renovável concentraram 97% de sua perda associada na Caatinga.
Astrini também destaca o reforço das ações de fiscalização do Ibama como um dos fatores importantes para a redução. Em 2025, o órgão recebeu a aprovação de R$ 825,7 milhões do Fundo Amazônia para ampliar o monitoramento e o combate ao desmatamento ilegal na Amazônia Legal.
Apesar da queda registrada em 2025, o cenário ainda exige atenção. Em sete anos, o Brasil perdeu mais de 10,9 milhões de hectares de vegetação nativa. Portanto, os números indicam avanços recentes, mas também mostram a dimensão do desafio ambiental que permanece no país.
Fonte: Agencia Brasil
