Revista Poder

Indústria rejeita reciprocidade ao tarifaço e cobra apoio financeiro

Representantes do setor defenderam a manutenção das negociações diplomáticas e cobraram ampliação de programas de financiamento para reduzir os impactos da nova taxação americana

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Representantes da indústria brasileira de máquinas e equipamentos defenderam nesta terça-feira (21) que o governo federal mantenha o diálogo com os Estados Unidos e evite adotar medidas de reciprocidade após a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros. A posição foi apresentada durante reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin e integrantes da equipe econômica.

O encontro reuniu dirigentes da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) com os ministros do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e da Fazenda, Dario Durigan. A conversa faz parte da série de reuniões promovidas pelo governo para avaliar alternativas de apoio aos segmentos mais atingidos pelas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos.

Ao fim da reunião, a entidade afirmou que uma eventual retaliação tarifária poderia ampliar as dificuldades para a indústria nacional. Na avaliação do setor, o caminho mais eficaz continua sendo o fortalecimento das negociações diplomáticas e da interlocução entre empresários dos dois países.

Além de descartar a reciprocidade, a Abimaq pediu a ampliação do programa Brasil Soberano, criado para oferecer linhas de crédito e apoio financeiro a empresas impactadas por crises externas. A proposta é ampliar o acesso a financiamentos com condições mais favoráveis para preservar investimentos e manter a competitividade das empresas brasileiras.

O setor também defendeu ações voltadas à abertura de novos mercados internacionais e políticas que fortaleçam a indústria nacional diante do cenário de maior concorrência global. Segundo a entidade, a diversificação das exportações tem ajudado a reduzir os efeitos da queda nas vendas para os Estados Unidos.

Apesar do novo cenário comercial, a associação informou que as exportações da indústria de máquinas continuam em trajetória de crescimento e atingiram um nível recorde nos últimos doze meses. Ainda assim, a tarifa adicional de 25% aplicada exclusivamente aos produtos brasileiros preocupa o setor por elevar os custos e reduzir a competitividade frente a fabricantes de outros países.

Na avaliação da Abimaq, o impacto é mais severo quando a cobrança recai apenas sobre o Brasil, já que empresas estrangeiras permanecem em condições mais favoráveis para disputar espaço no mercado americano. Quando as tarifas atingem diversos países ao mesmo tempo, a perda de competitividade tende a ser menor.

O governo federal informou que continuará ouvindo representantes da indústria antes de anunciar novas medidas de apoio. Entre as possibilidades em estudo estão o reforço das linhas de crédito e outras iniciativas voltadas à preservação da atividade econômica e dos empregos nos setores mais afetados pelo tarifaço.

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