Revista Poder

Lula lança medidas para reduzir impacto do tarifaço americano

Presidente compara impacto das novas barreiras comerciais à pandemia e afirma que país responderá com investimentos para proteger empresas e estimular a economia

Foto: Reprodução/Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (22) que crises podem representar oportunidades para o fortalecimento do país ao anunciar um novo pacote de medidas voltado à economia brasileira. Durante a cerimônia de sanção do Programa Brasil Soberano, o chefe do Executivo fez referência ao aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e defendeu uma reação baseada em investimentos e estímulos ao setor produtivo.

Ao comentar o cenário internacional, Lula lembrou os desafios enfrentados durante a pandemia de Covid-19 e afirmou que o Brasil conseguiu transformar aquele período em uma oportunidade para fortalecer áreas estratégicas, como o Sistema Único de Saúde. Segundo ele, o mesmo princípio deve orientar a resposta às barreiras comerciais impostas pelos norte-americanos.

O presidente declarou que, diante de momentos de dificuldade, o país precisa buscar soluções capazes de manter o crescimento econômico e ampliar a competitividade da indústria nacional. Para Lula, o novo cenário exige uma postura voltada à geração de oportunidades, em vez de apenas reagir aos efeitos das medidas externas.

Como parte dessa estratégia, o governo oficializou a terceira edição do Programa Brasil Soberano, que contará com R$ 18,5 bilhões para apoiar empresas afetadas pelo aumento das tarifas, pelos conflitos internacionais e pelo avanço de políticas protecionistas em diferentes mercados.

Desse total, R$ 13,5 bilhões serão provenientes do Tesouro Nacional, utilizando recursos não empregados em edições anteriores do programa e na renegociação de dívidas rurais. Outros R$ 5 bilhões serão disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com foco no financiamento de empresas e investimentos.

As medidas foram anunciadas no mesmo dia em que entrou em vigor a nova tarifa de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre uma ampla lista de produtos brasileiros. A decisão foi oficializada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que justificou a iniciativa com argumentos relacionados a práticas comerciais, questões ambientais e ao sistema de pagamentos brasileiro.

Entre os pontos apresentados pelo governo norte-americano estão críticas ao Pix, apontado como um fator que teria afetado empresas americanas do setor de cartões de crédito, além de alegações sobre o desmatamento no Brasil, que, segundo Washington, geraria vantagens competitivas para produtores brasileiros.

O governo brasileiro rejeitou as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos e mantém a posição de que as tarifas possuem motivação política e não encontram respaldo em fundamentos técnicos ou comerciais.

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