A Moody’s Ratings elevou a classificação de crédito soberano da Argentina de Caa1 para B3 e alterou a perspectiva de estável para positiva. A decisão representa a terceira melhora concedida ao país por uma das principais agências de risco em menos de três meses.
Embora a nova nota ainda permaneça em grau especulativo, a mudança indica uma redução na percepção de risco de inadimplência. Segundo a Moody’s, a estabilização econômica avançou além da fase inicial de ajustes e começou a produzir uma melhora mais duradoura nos fundamentos de crédito do país.
A avaliação também reforça a confiança do mercado nas medidas econômicas implementadas pelo governo do presidente Javier Milei. Entre os fatores considerados pela agência estão a manutenção de superávits fiscais, a desaceleração da inflação, a continuidade das reformas econômicas e o fortalecimento da posição externa argentina.
Terceira elevação em menos de três meses
A decisão da Moody’s sucede movimentos semelhantes das outras duas grandes agências internacionais de classificação de risco.
Em maio, a Fitch elevou a nota soberana da Argentina de CCC+ para B-, com perspectiva estável. Já em 10 de junho, a S&P Global Ratings aumentou as classificações em moeda local e estrangeira de CCC+ para B-, ao citar a redução das vulnerabilidades econômicas e a melhora do acesso a fontes externas de financiamento.
Com os três movimentos, a Argentina deixa de ocupar as categorias associadas aos níveis mais elevados de risco de inadimplência nas avaliações das principais agências. Ainda assim, permanece distante do grau de investimento, concedido a emissores considerados mais seguros.
A sequência de elevações sinaliza uma mudança relevante na percepção internacional sobre o país, que passou anos entre os emissores soberanos mais arriscados dos mercados globais.
O que sustentou a nova avaliação
A Moody’s destacou a disciplina fiscal adotada pelo governo, a redução da inflação e a liberalização gradual da economia. A agência também apontou um desempenho mais forte das exportações e o aumento do investimento estrangeiro direto, especialmente nos setores de energia e mineração.
Outro elemento importante foi a acumulação de reservas internacionais. Segundo a avaliação divulgada pela agência, o Banco Central argentino comprou mais de US$ 11 bilhões em moeda estrangeira durante o primeiro semestre de 2026, sem provocar pressões relevantes sobre o câmbio.
A melhora no acesso a financiamentos externos também contribuiu para a decisão. O governo tem utilizado emissões de dívida em dólares sob legislação argentina, operações com bancos internacionais e recursos de organismos multilaterais para cumprir seus compromissos financeiros.
Ao mesmo tempo, o país flexibilizou parte dos controles de capital e avançou em mudanças voltadas à normalização dos regimes monetário e cambial.
O que muda para os investidores
Na prática, uma classificação de crédito melhor pode ampliar o número de investidores autorizados ou dispostos a comprar títulos argentinos. Muitos fundos institucionais seguem regras que limitam a exposição a países classificados nas faixas mais elevadas de risco.
A nova avaliação também pode contribuir para reduzir o custo de financiamento do país. O prêmio exigido pelos investidores para comprar títulos argentinos em vez de papéis do Tesouro dos Estados Unidos chegou à faixa de 420 pontos-base no início de julho, o menor patamar em oito anos.
Mesmo assim, o custo permanece elevado. Integrantes do governo argentino avaliam que os preços dos títulos ainda não refletem completamente a melhora das contas públicas, das reservas e da capacidade de pagamento do país.
O retorno da Argentina aos mercados internacionais de dívida dependerá não apenas das classificações, mas também da continuidade da queda do risco soberano e da confiança dos investidores na manutenção da política econômica.
Perspectiva positiva abre espaço para nova melhora
Ao atribuir perspectiva positiva à nota B3, a Moody’s sinaliza que poderá elevar novamente a classificação caso a Argentina continue fortalecendo suas contas externas, acumulando reservas e mantendo a estabilização macroeconômica.
A agência, contudo, ainda identifica riscos. Um dos principais está ligado às eleições presidenciais de 2027 e à possibilidade de mudanças na condução econômica. Apesar disso, a Moody’s considera que a variedade de possíveis rumos para a política econômica diminuiu em comparação com ciclos eleitorais anteriores, o que aumenta a probabilidade de continuidade das medidas atuais.
A elevação representa, portanto, um avanço para a Argentina, mas não encerra os desafios. O país ainda precisa consolidar as reservas, preservar o equilíbrio fiscal, ampliar a capacidade de financiamento e demonstrar que as melhorias econômicas podem permanecer mesmo diante das pressões políticas e eleitorais.
Fonte: Bloomberg Línea
