Revista Poder

Por que hospitais estão cortando atendimento a planos da Geap? Entenda o caso

Operadora de servidores públicos enfrenta descredenciamentos, inquéritos e alta nas reclamações de clientes

Foto: Reprodução/Redes Sociais

O que está acontecendo?

Grandes hospitais brasileiros vêm suspendendo ou encerrando contratos com a Geap, operadora que atende servidores públicos federais, estaduais e municipais. Em São Paulo, isso já afeta Beneficência Portuguesa, São Camilo e Hospital das Clínicas.

O problema é só em São Paulo?

Não. A associação A Geap é Nossa mapeou ocorrências em ao menos dez estados, como o caso do Hospital UDI, da Rede D’Or, e do Inlab Fleury, ambos no Maranhão. No Amazonas, o Ministério Público abriu inquéritos civis em maio para investigar suspensões abruptas nos hospitais Santa Júlia e Adventista.

Qual é o motivo alegado pelos hospitais?

As redes hospitalares apontam aumento expressivo nas glosas — recusas de pagamento de procedimentos — além de atrasos nos repasses financeiros, num momento em que a base de beneficiários da Geap cresceu rapidamente. A Rede D’Or, por exemplo, cita uma dívida acima de R$ 200 milhões desde janeiro de 2025, que resultou em suspensão de atendimento em 28 unidades e rompimento em seis. O Hospital das Clínicas da USP relata quadro parecido, com um dos contratos suspenso em junho e outro já rescindido judicialmente.

Os números confirmam a piora no atendimento?

Sim. Segundo a ANS, o percentual de recusas de procedimentos da Geap subiu de 5,8% para mais de 14% em seis meses, enquanto a média do setor ficou em 6,5%. As queixas no Reclame Aqui saltaram de cerca de 50-60 por mês para picos de 666 em maio e 392 em junho.

O que diz a Geap?

A operadora nega dificuldades financeiras e credita as mudanças na rede ao crescimento acelerado da carteira — de 270 mil para 420 mil beneficiários em três anos. Ela também informa ter fechado parcerias com Unimed, Hapvida e Amil para ampliar o número de prestadores credenciados.

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