Revista Poder

Manu Bragança fala sobre a nova fase da TottaAg e os caminhos para construir uma marca relevante

Sócia e diretora criativa aborda a fusão que deu origem à marca, o equilíbrio entre estratégia e criação e os planos de expansão

Manu Bragançã - Foto Divulgação

A TottaAg vive uma nova fase desde a fusão entre a Totta e a AG Guerreiro, movimento que uniu histórias, ampliou a estrutura da empresa e abriu espaço para novos planos de expansão. À frente desse processo está Manu Bragança, sócia e diretora criativa da marca carioca, que mantém no centro da criação uma identidade marcada por cores, materiais diversos, referências culturais e uma forte conexão emocional com o público.

Na entrevista, Manu Bragança fala sobre os bastidores da união entre as marcas, os desafios de empreender no segmento de moda e acessórios e a importância de equilibrar criatividade e estratégia. Ela também comenta a construção de comunidade, as inspirações por trás das coleções e as prioridades da TottaAg para os próximos anos.

Como surgiu a fusão entre a Totta e a AG Guerreiro? O que esse momento representa para você?

A fusão aconteceu em setembro do ano passado, mas foi resultado de um processo de construção que levou cerca de um ano. Ao longo da trajetória da Totta, eu já havia recebido algumas propostas de aquisição da marca, mas nenhuma fazia sentido naquele momento.

Tudo começou quando conheci a Juliana Guerreiro. A ideia inicial era desenvolver uma coleção para a AG Guerreiro, que é uma das marcas do grupo. Conforme as conversas foram evoluindo, percebemos que existia uma afinidade muito maior entre as duas marcas do que imaginávamos. Não era apenas sobre criar uma coleção, mas sobre unir histórias, visões e potencial de crescimento.

Foi então que surgiu a proposta da fusão, junto com a entrada de um investidor, dando origem à TottaAg.

Para mim, esse momento representa um passo muito importante. A Totta sempre teve um DNA muito forte, uma identidade muito clara e uma comunidade que se conectava profundamente com a marca. Mas eu sentia falta de uma estrutura mais robusta, que permitisse à empresa crescer de forma sustentável e, ao mesmo tempo, me desse espaço para estar ainda mais focada naquilo que faço de melhor: estratégia, branding e direção criativa.

Hoje estamos construindo essa nova fase. A empresa está mais estruturada, ampliando a equipe, abrindo novas lojas e consolidando essa união entre duas marcas com histórias muito relevantes. É um momento muito especial, porque conseguimos preservar a essência da Totta enquanto ganhamos força para levar a marca ainda mais longe.

Como você define o DNA da TottaAg hoje?

A TottaAg tem um DNA muito forte e uma personalidade muito bem definida. Acho que isso acontece porque a marca sempre refletiu muito quem eu sou. Eu tenho uma personalidade intensa e criativa, e isso naturalmente acabou sendo traduzido para a marca.

Somos uma marca com alma carioca e solar. Essa energia aparece nas cores, na mistura de materiais, nas texturas e na forma como criamos. Hoje, com a fusão, conseguimos ampliar ainda mais esse universo: temos peças delicadas em prata 925, mas também trabalhamos muito com pedras naturais, madeira, esmaltação colorida e diferentes acabamentos. Essa diversidade faz parte da nossa identidade.

Mas, acima de tudo, acredito que o grande diferencial da TottaAg é que nunca quisemos vender apenas um acessório. Desde o início, meu maior objetivo foi criar uma marca capaz de acompanhar momentos especiais da vida das pessoas. Gosto da ideia de que alguém olhe para uma peça e se lembre de uma viagem, de uma conquista, de um encontro ou de uma fase importante da vida. Quando uma joia desperta uma lembrança, ela ganha um significado que vai muito além da estética.

Esse olhar também está presente em todas as coleções. Eu nunca começo criando um produto. Sempre começo por uma história, uma viagem, um livro, uma referência cultural ou um momento que vivi e que despertou alguma emoção. As coleções nascem dessas narrativas, e acredito que é isso que faz a TottaAg ter uma identidade tão autêntica e uma conexão tão verdadeira com quem escolhe usar a marca.

O que você considera essencial para construir uma marca relevante em um mercado tão competitivo?

Hoje vivemos em um mercado extremamente competitivo e com um volume enorme de informação. Por isso, acredito que o mais importante para construir uma marca relevante é ter um DNA muito claro. Quando uma marca sabe quem é, ela deixa de competir apenas por produto ou preço e passa a criar uma conexão genuína com as pessoas.

Também acredito muito na construção de comunidade. Uma marca forte não é aquela que apenas vende produtos, mas aquela que cria identificação, desperta desejo e faz com que as pessoas queiram fazer parte daquele universo. As pessoas precisam se reconhecer nos valores, na estética e no estilo de vida que aquela marca representa.

No fim, marcas relevantes vendem muito mais do que um produto. Elas vendem uma história, um sonho, um desejo e uma forma de enxergar o mundo. É isso que cria conexão, fidelidade e faz uma marca permanecer relevante ao longo do tempo.

Quais foram os maiores desafios de empreender no mercado de moda e acessórios?

Empreendo desde muito nova e o mercado de moda sempre fez parte da minha trajetória. Apesar de ser formada em Psicologia, foi na moda que construí minha carreira. Ao longo desses anos, já tive marca de roupas, atuei na gestão de uma fábrica de jeans, trabalhei com diferentes segmentos, do mercado de luxo ao varejo, e cada uma dessas experiências foi uma grande escola.

Acho que um dos maiores desafios de empreender na moda é entender que criatividade, sozinha, não sustenta um negócio. É fundamental ter uma estrutura sólida, processos bem organizados e um plano de negócios consistente. Principalmente no Brasil, onde empreender exige muito preparo e capacidade de adaptação.

Ao mesmo tempo, acredito que a paixão pelo que você faz continua sendo um diferencial. Construir uma marca exige dedicação diária e uma visão de longo prazo. E existe um ponto que considero cada vez mais importante: as pessoas querem saber quem está por trás da marca. Elas se conectam com histórias, valores e propósito. Quando existe uma pessoa real liderando esse processo e transmitindo de forma genuína aquilo em que acredita, a relação com o cliente se torna muito mais verdadeira. Hoje, mais do que comprar um produto, as pessoas escolhem marcas com as quais se identificam.

Como você equilibra criatividade e estratégia de negócios nas decisões da marca?

Acredito que criatividade e estratégia não são áreas separadas, elas precisam caminhar juntas. Uma boa ideia só se torna relevante quando faz sentido para o negócio, e uma estratégia só funciona de verdade quando existe criatividade para gerar desejo e conexão com as pessoas.

Na TottaAg, todas as decisões criativas passam por um olhar estratégico. Antes de desenvolver uma coleção, pensamos no momento da marca, no comportamento da nossa cliente, no posicionamento que queremos fortalecer e na experiência que queremos proporcionar.

Ao mesmo tempo, também tomo muito cuidado para que os números não limitem a criatividade. Acredito que a inovação é o que mantém uma marca viva. O desafio está justamente em encontrar esse equilíbrio: criar com liberdade, mas sempre com clareza de propósito e de onde queremos chegar.

No fim, meu papel como diretora criativa é transformar estratégia em emoção e fazer com que cada decisão fortaleça a identidade da TottaAg e contribua para o crescimento da marca.

Como você lida com o equilíbrio entre preservar a identidade da marca e acompanhar as transformações do mercado?

Acredito que esse equilíbrio acontece de forma muito natural quando a marca tem um DNA bem definido. Quando você sabe exatamente quem é, quais são os seus valores e o que quer transmitir, fica muito mais fácil acompanhar as mudanças do mercado sem perder a essência.

A moda está em constante transformação e acredito que uma marca não pode ser engessada. É importante estar atenta aos novos comportamentos, às tendências e às mudanças de consumo, mas sempre filtrando tudo isso pelo olhar e pela identidade da marca. Nem toda tendência faz sentido para todo mundo, e tudo bem.

Isso também reflete muito quem eu sou. Gosto de acompanhar a moda, experimentar e viver diferentes estilos. Tem momentos em que estou mais clássica, outros em que me identifico com uma estética mais boho ou mais fashionista. Acho que a moda acompanha as fases da nossa vida, e a TottaAg também evolui junto com esse movimento.

No fim, acredito que o mais importante é continuar evoluindo sem abrir mão da autenticidade. A TottaAg acompanha o seu tempo, mas sempre preservando a personalidade e a essência que fizeram a marca conquistar uma conexão tão forte com as pessoas.

A TottaAg vive um momento de expansão, certo? Quais são as prioridades para os próximos anos?

Sim, estamos vivendo um momento muito importante de expansão e consolidação da TottaAg. Mas, para mim, crescer nunca foi apenas abrir mais lojas. O principal objetivo é fortalecer a marca de forma consistente, construindo uma empresa cada vez mais sólida e preparada para o longo prazo.

Nos próximos anos, nossa prioridade é consolidar essa nova fase da TottaAg, fortalecendo a estrutura da empresa, ampliando nossa presença nos mercados onde já atuamos e aprofundando ainda mais o relacionamento com a nossa comunidade.

Também queremos continuar investindo em experiência de marca, conteúdo, posicionamento e desenvolvimento de produto. Acredito que o crescimento mais sustentável acontece quando existe uma conexão genuína entre a marca e as pessoas.

Ao mesmo tempo, estamos olhando para novas oportunidades de expansão, sempre de forma estratégica e respeitando a essência que nos trouxe até aqui. Meu maior desejo é que a TottaAg continue crescendo sem perder a autenticidade, a criatividade e a proximidade que sempre fizeram parte da nossa história.

De onde vêm as principais inspirações para as coleções?

As inspirações das coleções vêm de tudo aquilo que desperta alguma emoção em mim. Pode ser uma viagem, um destino que conheci, um livro, uma obra de arte, a arquitetura de um lugar, uma conversa ou até um momento específico da minha vida. Gosto de observar o mundo e transformar essas referências em histórias.

Na TottaAg, dificilmente uma coleção nasce apenas da vontade de criar um produto. Ela sempre começa por um conceito, uma narrativa ou uma experiência que queremos transmitir. A partir daí, pensamos nas cores, nos materiais, nas formas e em todos os detalhes que vão dar vida àquela história.

Acredito que é isso que torna as coleções tão autênticas. Elas carregam um significado e convidam as pessoas a fazerem parte daquele universo. No fim, meu objetivo é que cada coleção desperte emoções e faça com que quem usa uma peça da TottaAg leve consigo muito mais do que um acessório: leve uma lembrança, uma sensação e uma história para contar.

Por fim, qual peça da TottaAg você usa com mais frequência? Tem alguma preferida no momento?

Essa é uma pergunta difícil, porque eu realmente não sou uma pessoa de eleger uma única peça favorita. Gosto de construir composições e estou sempre misturando diferentes joias, então meus looks mudam bastante.

Se tem uma categoria que uso todos os dias, são os fios com pingentes. Adoro brincar com as combinações, misturar tamanhos, trocar os pingentes de acordo com o momento e criar novas leituras. Acho que isso traduz muito o universo da TottaAg: peças versáteis, que permitem diferentes formas de uso e expressam a personalidade de quem veste.

Também uso muito as peças de madeira e gosto de misturá-las com rivieras e outros elementos mais delicados. Essa mistura de materiais e estilos faz parte da minha forma de me vestir e também da identidade da marca.

Mas, se eu tivesse que escolher uma peça que realmente me acompanha, seria o nosso Olho Grego de cerâmica. É uma peça totalmente feita à mão, muito especial para mim e que já faz parte da minha rotina. Acho que ela representa bem a essência da TottaAg e tem um significado muito afetivo na minha história com a marca.

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